São Paulo, 18 (AE) - O vereador Vicente Viscome recebeu pelo menos R$ 65 mil em recursos obtidos por meio da cobrança de propinas na Administração Regional da Penha, segundo informou a assessora do parlamentar, Tânia de Paula. Em depoimento hoje à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, ela disse que a quantia refere-se ao repasse de apenas dois meses de 1997, respectivamente de R$ 40 mil e R$ 25 mil.
Tânia disse não ter um controle de quanto recebeu e repassou durante os seis meses em que trabalhou na regional da Penha, mas acredita que o movimento variou entre R$ 80 mil e R$ 100 mil. De acordo com a assessora de Viscome, uma parte dos recursos era destinada para o atendimento de pedidos de pessoas da região e ao pagamento de despesas do escritório político do vereador.
O restante era repassado para Viscome, que segundo Tânia comprava ambulâncias para atender a população - o vereador já respondeu a um processo eleitoral por esse motivo. Esses veículos teriam sido registrados em nome do vereador. "Nós (Tânia e Vicente Viscome) fizemos um acordo para investir no social e fazer uma campanha sem depender de nada", contou Tânia.
Viscome iniciou a vida como carroceiro e acumulou um patrimônio avaliado em mais de R$ 16 milhões, antes de ser eleito, segundo a sua assessora. Os vereadores paulistanos recebem R$ 4,5 mil mensais. As propinas, segundo Tânia de Paula, eram cobradas dos marreteiros, do serviço de coleta e varrição do lixo e de outros contratos com empresas - não soube explicar quais.
De acordo com a assessora, uma das empresas do setor de limpeza pública que pagavam propina era a Enterpa. "Não sei por que nem quanto pagavam, mas devia haver alguma irregularidade porque, se não existisse, não pagariam", afirmou Tânia. O advogado da Enterpa, Voltaire de Souza Gaspar, afirmou ontem que a empresa foi coagida a pagar. Tentáculos - Além dessas três fontes, Tânia contou que os assessores da regional da Penha recebiam uma remessa que chegou a R$ 4 mil em agosto de 1997, para que os fiscais liberassem determinadas "propagandas". Essa publicidade seria por meio da distribuição de panfletos e placas de empreendimentos imobiliários.
Esses recursos, segundo Tânia, viriam da Secretaria das Administrações Regionais (SAR). Ela não soube informar quais funcionários ou por meio de qual departamento o dinheiro era remetido. Tânia disse que ficava com 10% desse total, o que representa R$ 400,00 no último mês que trabalhou na regional da Penha. "Nos meses anteriores foi bem pouco", contou.
O presidente da CPI, vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT), acredita que essa relação com a SAR possa ser um "tentáculo" do esquema de corrupção. Os vereadores pretendem ouvir quatro pessoas amanhã, entre elas o ex-administrador regional Paulo Tiroli.

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