Ex-assessora de Maria Helena diz que foi espancado
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quinta-feira, 23 de dezembro de 1999
Por Marcos Lopes e Luciana Garbin 
São Paulo, 22 (AE) - Em entrevista à imprensa hoje, um ex-assessor da vereadora Maria Helena (PL) afirmou ter sido espancado, a mando da parlamentar, após prestar depoimento, no dia 3, a delegados e promotores da força-tarefa que investiga a máfia dos fiscais. O suposto espancamento foi um dos motivos alegados para a prisão temporária de Maria Helena, detida desde ontem no 89.º Distrito Policial, no Morumbi, zona sul. "Antes disso eu já tinha apanhado duas vezes, uma delas da própria vereadora, em anos passados", afirmou a testemunha, cujo nome está sendo mantido em sigilo.
O depoimento do ex-assessor é considerado fundamental no inquérito que investiga a parlamentar. Maria Helena foi presa sob a acusação de tentar coagir testemunhas das investigações da máfia dos fiscais e participar de um suposto plano para eliminar membros da força-tarefa. Segundo a testemunha, três assessores da vereadora procuraram-no em sua casa, depois que ele prestou depoimento para o delegado Maurício Correali, no Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird), localizado no Butantã
zona oeste. "Eles disseram que a vereadora queria falar comigo."
A testemunha afirmou que, no caminho para a casa da parlamentar, foi espancada a socos e pontapés e ameaçado de morte. "Eles disseram que cagueta tem de morrer", afirmou. O ex-assesor disse ainda que, quando chegaram à residência da vereadora, Maria Helena repetiu as ameaças. Procurados - A exemplo da parlamentar, os três assessores estão com a prisão temporária decretada. Eles estão sendo procurados pela polícia. O ex-assessor contou que, na segunda-feira seguinte, dia 6, data em que prestaria novo depoimento no Dird, foi levado para o interior com sua mulher, por determinação de Maria Helena. Durante a viagem, as pessoas encarregadas de escoltá-lo tentaram convencê-lo novamente a não comprometer a situação da vereadora na polícia.
A testemunha também trabalhou com o ex-vereador e ex-deputado Hanna Garib - que perdeu o mandato, acusado de ter montado uma rede de corrupção na Administração Regional da Sé -, contou detalhes do suposto plano para matar o delegado Romeu Tuma Júnior, que tem conduzido investigações sobre a vereadora. O delegado, na versão dele, seria eliminado por pessoas ligadas a Maria Helena após dar uma entrevista a um programa de TV, no mês passado.
Até 1994, o ex-assessor, que se define como líder comunitário da zona norte, trabalhava para Garib. Nessa época, o ex-deputado teria solicitado a ele que passasse a trabalhar para Maria Helena. "Ele disse que era para eu ajudar outro político da região norte, que era a Maria Helena", disse. Cartazes - A testemunha foi, então, morar na casa da vereadora. "Ela gostava que seus assessores ficassem por perto, para fazer algum trabalho emergencial." Esse "trabalho emergencial" incluía, por exemplo, tarefas como arrancar cartazes de adversários políticos de Maria Helena.
A testemunha afirmou que o seu salário, de R$ 500,00 por mês, era pago com dinheiro recolhido dos vencimentos de funcionários do gabinete de Maria Helena na Câmara. Em 1995 e 1996, o ex-assessor voltou a trabalhar com Garib, que se candidatara a deputado estadual."Ela apoiou o Garib para tornar-se a única vereadora da região, pois ele iria para a Assembléia."
Na entrevista, a testemunha disse ainda que a vereadora é uma "pessoa forte", ligada a delegados, promotores e até a traficantes da zona norte. Ele estimou que, apenas por meio de esquemas de corrupção em administrações regionais, a vereadora ganhava cerca de R$ 600 mil por mês.
Segundo a Polícia Civil, o ex-assessor afirmou que tem medo de ser submetido a acareação com a vereadora. Ele acredita que possa sofrer represálias se isso ocorrer. Tuma - A vereadora chegou às 16h55 para depor no Dird e não quis conversar com a imprensa. "Só falo ao vivo, pois deturparam tudo que eu falei ontem". Quando foi levada ao 89.º DP, Maria Helena atribuiu sua prisão a uma "armação" de Tuma Júnior. Ela apontou como possível motivo da atitude do delegado o fato de tê-lo acusado, em agosto, de tentativa de extorsão. Tuma Júnior rebateu hoje as acusações da vereadora. "É uma tentativa de desmoralizar a investigação", disse. "As afirmações mostram um desrespeito à Justiça".


