Ex-árbitro navegará de Piracicaba a Punta del Este
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Milton Bridi 
Piracicaba, 16 (AE-DOW JONES) - O ex-árbitro de futebol José Luiz Guidotti, de 58 anos, vai navegar 4.200 quilômetros entre Piracicaba a Punta del Este, no Uruguai. A proposta é comemorar a façanha de 10 anos atrás, quando, pela primeira vez, ele e o seu filho Luciano Guidotti Sobrinho, que na época tinha 15 anos, completaram o trajeto, numa demonstração de que a navegação é possível entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
A expedição denominada Mercosul 2000-II Navegação Piracicaba-Buenos Aires-Montevidéu, sairá da Rua do Porto, em Piracicaba, no dia 26. Desta vez, Guidotti não vai percorrer praticamente sozinho os principais rios - Piracicaba, Tiête, Paraná, Uruguai e Rio da Prata - que interligam os quatro países
como fez em outras ocasiões. A expedição terá três embarcações e um total de nove pessoas.
Entre os tripulantes da expedição estará Vera Lúcia, mulher de Guidotti. "O vento e a chuva castigam muito durante a navegação e são os principais problemas que vamos enfrentar", acredita Vera. Ela garante que está ansiosa para partir rumo a Punta del Este. "Conto nos dedos os dias que faltam."
Ecologia - A previsão é chegar a Punta del Este em 30 de março. "Nosso objetivo é observar também o que mudou nos rios na última década", disse Guidotti, que durante 17 anos apitou mais de 800 partidas de futebol.
"Gostaria de encontrar os rios menos poluídos do que há dez anos, mas sei que isso será bastante difícil ", disse. Ele acredita que a situação deve ter piorado bastante nesse tempo. "Naquela época pouco se falava em ecologia, mas o problema já existia em dimensão gigantesca", observou Guidotti, que transformou a experiência obtida na primeira viagem no livro Aventura na Bacia do Prata, da Editora Shekinah, atualmente na 2ª edição.
A qualidade da água dos rios será analisada por meio de amostras, retiradas de cada afluente de grande porte, pelos participantes da expedição. A situação em que se encontram as matas ciliares também será observada pela equipe. A destruição delas provoca assoreamento dos rios. "Vamos observar se houve uma evolução positiva ou negativa", afirma o navegador.
A preocupação com o ambiente já fez o ex-árbitro organizar inúmeros arrastões ecológicos nos rios da região de Piracicaba, com a finalidade de retirar sujeira e restos de materiais que são jogados nos rios.
Guidotti já participou de mutirões de limpeza no Rio Piracicaba (quatro vezes); no Rio Tietê, em Porto Feliz (duas vezes); no Rio Capivari (uma vez); ainda no Rio Tietê, na Grande São Paulo (uma vez) e no Rio Jaú (uma vez).
As despesas com a expedição ficarão em torno de R$ 30 mil e serão custeadas por diversos patrocinadores, entre eles o Banco do Brasil, Delphi, Mobil, Xerox e Cervejaria Schincariol. "Com nosso trabalho conseguimos credibilidade com as empresas e, atualmente, não precisamos colocar dinheiro do bolso para navegar", explicou Guidotti.
Apaixonado - A paixão pela navegação e o desejo de saber para onde ia toda aquela água do Rio Piracicaba, quando tinha apenas 7 anos, motivaram o ex-árbitro a "conquistar" o Mercosul em 1990, quando decidiu realizar a sua primeira grande expedição. De lá para cá, Guidotti, que também é jornalista e escritor, navegou mais de 20 mil quilômetros.
Foram ao todo mais de 50 expedições, em dez anos. Guidotti orgulha-se de ter navegado o Tietê inteiro, num total de 1.136 quilômetros, em 1992. A maioria das viagens transformou-se em documentos e relatórios ambientais. As principais em livros, como Navegando pelo Piracicaba, em 1992; O Tietê Sem Segredos, em 1994; Rio Capivari, em 1996; Navegando pelo Paraíba do Sul, em 1998 e Diário de Bordo, em 1999.
A maior aventura foi em 1998, quando a expedição de Guidotti, com dois barcos e seis tripulantes, percorreu 2.400 quilômetros dos Rios Araguaia, Tocantins e Pará, da Barra do Garças a Belém, no Pará, em 15 dias. Em 1991, Guidotti havia levado três dias para navegar 180 quilômetros dos Rios Piracicaba e Tietê.


