Berlim, 28 (AE-AP) - O homem que supostamente gerenciava uma rede de fundos ilícitos para o ex-chanceler alemão Helmut Kohl renunciou à União Democrata Cristã (CDU, pela sigla em alemão) nesta sexta-feira (28), aparentemente em protesto por ser acusado pelas irregularidades.
Horst Weyrach renunciou por "sentir que não estamos levando em consideração" o fato de ele ter servido discretamente ao partido como assessor fiscal desde a década de 70.
Ainda hoje, a polícia alemã invadiu o escritório do ex-ministro do Interior democrata-cristão Manfred Kanther, no Bundestag (Parlamento alemão), em busca de documentos relacionados com o escândalo das contas secretas, criadas pelo ex-chanceler Helmut Kohl para receber "doações políticas".
A ordem de busca foi autorizada pelo presidente do Parlamento, o social-democrata Wolfgang Thierse.
Kanther, cuja casa também foi inspecionada pelos agentes, renunciou a seu mandato de deputado na semana passada, quando admitiu ter participado das operações de transferência de milhões de dólares do exterior (depositados em contas secretas) para aplicação nas campanhas eleitorais da União Democrata-Cristã (CDU), na época sob controle absoluto de Kohl. Kanther foi líder da CDU no Estado de Hesse.
Ontem, a cúpula democrata-cristã em Hesse estimou em US$ 10 milhões o volume de doações não declaradas aplicadas em campanhas eleitorais na déca de 80 - duas vezes mais que os números fornecidos por Kanther.
A cúpula da CDU pretende levá-los ao tribunal para forçá-los a dizer o que sabem.
Kohl enfrenta dois processos de investigação - um parlamentar e outro judicial. Ele admitiu ter aceitado entre 1993 e 1998 mais de US$ 1 milhão em doações não declaradas, que aplicou nas campanhas eleitorais do partido na antiga Alemanha Oriental.
O ex-chanceler insistiu em todos os seus depoimentos jamais ter aceitado suborno ou vendido favores governamentais. Contudo, nega-se a cumprir a letra da lei, que exige a revelação dos nomes dos doadores. "Os donativos foram dados com a condição de que eu não revelaria nomes e não vou quebrar a palavra empenhada."

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