Ex-administrador volta de licença e recebe promoção
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terça-feira, 29 de junho de 1999
Por Alceu Castilho 
São Paulo, 30 (AE) - O ex-administrador da Mooca e Penha, engenheiro José Augusto Fernandes Gomes, retornará depois de amanhã de sua licença médica com salário mais alto: hoje, ele foi oficialmente promovido pela Prefeitura, conforme o Diário Oficial do Município.
Gomes foi o primeiro regional a ser preso no exercício do cargo, durante as investigações da máfia dos fiscais, em abril. Após a prisão provisória, por 15 dias, entrou de licença.
A Agência Estado adiantou há dois meses que ele receberia essa promoção por antiguidade. Gomes foi o 11º colocado na concorrência realizada entre 23 engenheiros de sua classe, categoria e grau. O total de funcionários da Prefeitura nesse grau é de 86.
O engenheiro também foi administrador da Penha. Isso ocorreu antes de essa regional ser controlada pelo ex-vereador Vicente Viscome, cassado sob a acusação de se beneficiar do esquema de corrupção na região. Gomes assumiu esse cargo por indicação do vereador Toninho Paiva (PFL), de quem foi tesoureiro de campanha.
Paiva também o teria indicado para a regional da Mooca, onde acabou sendo preso, após a eleição do deputado José Índio Ferreira do Nascimento (PMDB), que também teria participado da indicação. Paiva nega essa segunda indicação e diz que nunca mais falou com Gomes. "Soube apenas que está muito debilitado"
disse na semana passada à reportagem.
Apesar de ter ocorrido na Mooca, onde foi administrador durante três meses, a prisão do ex-administrador ocorreu por suposta corrupção na regional da Lapa, onde atuava como supervisor de Obras e Serviços Públicos. Essa regional era controlada por outro vereador do PFL, José Izar, objeto de investigações na Câmara, Polícia e Ministério Público.
Segundo o delegado Romeu Tuma Júnior, que efetuou a prisão de Gomes, um empresário da região teve seu estabelecimento fechado por irregularidades administrativas. Na época, os fiscais da regional da Lapa teriam pedido cerca R$ 20 mil para acertar a situação. O empresário, que se negou a pagar a propina, teria sido orientado a procurar Izar.
O vereador teria dito que nada podia fazer e o orientou a procurar novamente a regional da Lapa. Dessa vez, os fiscais teriam baixado o valor da extorsão de R$ 20 mil para R$ 6 mil. O empresário teria entregue o dinheiro nas mãos de Gomes, metade do valor em dinheiro e a outra metade em cheque.
A polícia conseguiu levantar o cheque, depositado na conta do fiscal Januário Costa Santos, preso no mesmo dia de Gomes. O engenheiro chegou a ser reconhecido na sede da Divisão de Identificação e Registros Diversos (Dird) pelo empresário.
Também em abril, a Polícia recebeu a informação de que a mulher de Gomes foi vista com um dos funcionários da Prefeitura que estão foragidos da polícia: o ex-regional da Penha Osvaldo Morgado da Cruz. Os dois estariam próximos da casa onde o doleiro Omar Aboujuk comercializava dólares. Aboujok disse à polícia que mantinha relações comerciais com Gomes. Em acareação com Gomes, o acusou de mentiroso, mas confirmou que trocava cheques para ele.


