Ex-administrador da Penha diz que foi avisado por Savelli sobre poder político de Viscome na AR
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 19 (AE) - O ex-administrador regional da Penha Paulo Roberto Tirolli afirmou ter sido avisado pelo ex-secretário municipal das Administrações Regionais, Vias Públicas e Serviços e Obras Alfredo Mário Savelli, que o vereador Vicente Viscome (sem partido) "comandava politicamente a região da Penha" e sua nomeação para assumir o cargo de administrador regional teria de ser "ratificada" pelo parlamentar. Tirolli depôs hoje na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, na Câmara Municipal.
Depois que assumiu o cargo, Tirolli disse ter sido procurado por Viscome na Regional da Penha. Na reunião, o vereador teria explicado que deveria manter os assessores ligados ao parlamentar - o coronel reformado do Exército Ivan Marcos Gitahy, Fernando Capitão, Wladimir Antônio Ferreira, Fernando Leper e um quinto assessor, conhecido como Tonhão.
Tirolli aceitou o cargo porque precisava de mais um ano para incorporar o cargo conhecido com DAS-15. O salário atual do ex-administrador regional da Penha é de R$ 6,2 mil. Ao ser perguntado se não aceitasse a ordem de Viscome corria o risco de ser exonerado do cargo, Tirolli disse acreditar que sim. Ele admitiu, também, ter recebido ordem de Viscome para não retirar faixas de políticos fixadas irregularmente nas ruas - não revelou quais políticos.
O ex-administrador regional da Penha disse desconhecer esquemas de cobrança de propinas e também não conhecer a assessora parlamentar de Viscome, Tânia de Paula, que integrou a assessoria política do vereador na Administração Regional da Penha. "Não era justo multar, porque as falhas e elas eram rapidamente corrigidas".
Tirolli disse ter conhecido o assessor Sílvio Rocha na regional. Segundo ele, Rocha apresentou-se dizendo que era contratado da Companhia de Processamento de Dados do Município (Prodam) para prestar serviço naquela administração regional. Ele admitiu ter ordem para não "mexer"com Rocha. Servidor - O primeiro funcionário público a depor hoje à CPI dos Fiscais foi o ex-agente vistor da Regional da Penha, Clóvis Feitosa. Ele disse que trabalha nessa função há 20 anos e sempre houve esquema de cobrança de propina. "Trabalho nesse setor há 20 anos e sempre existiu corrupção, mas de 1988 para cá a pressão aumentou", afirmou Feitosa. Ele disse ser pressionado pelos seus superiores para "trazer, no mínimo, R$ 2 mil por semana", em algumas semanas chegava a R$ 3 mil. Feitosa disse chegou a ser ameaçado pelos seus chefes para conseguir o dinheiro, caso contrário seria afastado do setor. O ex-agente vistor da Regional da Penha comprou um carro BMW ano 1993 por R$ 25 mil do ex-administrador regional da Penha Osvaldo Morgado e, como parte de pagamento, deu um veículo Mazda. O salário base de um fiscal é de cerca de R$ 800,00.


