Por Gláucia Leal
São paulo, 15 (AE) - O engenheiro civil Gilberto Trama, de 37 anos, ex-administrador regional da Lapa, disse ontem (14), em seu depoimento à Polícia Civil, não ter conhecimento sobre o esquema de cobrança de propinas por parte de fiscais. Ele admitiu ter ouvido dizer que isso ocorria, mas nunca conseguiu provar. Trama afirmou também ter sido procurado pelo vereador José Izar por duas vezes, em seu gabinete, quando ocupava o cargo de administrador regional interino na Lapa. "Eu não consenti que ele fizesse o mando administrativo e deixei bem claro que, enquanto estivesse naquele cargo, as decisões seriam minhas", declarou.
Segundo o engenheiro, na primeira visita Izar teria dito que o efetivaria e ele passaria a receber as vantagens do cargo, o que ele teria rejeitado. Trama assegurou em seu depoimento que Izar nunca falou em dinheiro com ele. "O vereador queria que eu trabalhasse politicamente e desse prioridade nos trabalhos da regional, mas não concordei", afirmou em seu depoimento. Quando o administrador Milton Solla foi exonerado, o verador teria voltado a procurar Trama para certificar-se de sua posição. "No dia seguinte, o prefeito publicou a prorrogação da minha permanência como interino e não a minha nomeação", contou. O engenheiro civil permaneceu mais 30 dias no cargo, até que José Izar indicasse Francisco Barreto, que também ficou 30 dias como administrador, até ser substituido por Edson Pennas Batista.
Ele afirmou lembrar-se de ter recebido a visita de um grupo de camelôs que denunciavam a vendedora ambulante Ana por tentar "lotear" o túnel da Lapa. "Não instaurei inquérito adminsitrativo por falta de elementos, mas organizei comandos diários em operação conjunta com a PM e a Prefeitura". Ele disse ainda não ter respondido a processo por causa das denúncias de recebimento de propinas de empresas transportadoras da região da Lapa. Vereador - Também foi ouvido ontem o ex-coordenador de apreensões, da Lapa, Amauri Aparecido Rippa. Ele admitiu ter trabalhado na campanha para a eleição de Willian José Izar, irmão do vereador José Izar, e disse ter pedido para que seus colegas do setor de apreensões também colaborassem, mas negou que tivesse recebido orientações para pedir dinheiro. Rippa também negou sua particioação no esquema de recebimento de propinas na regional da Lapa.
Desde 1984 na Prefeitura, ele afirmou ter sido ameaçado de morte por um camelô já falecido. O ex-funcionário disse que esteve fazendo trabalho nas ruas apenas quatro ou cinco vezes. Em uma dessas ocasiões teve um desentendimento com o camelô Sildomar, deficiente físico, que registou um boletim de ocorrência contra ele. Rippa foi acusado de receber propinas junto com o fiscal José Amaro dos Santos, o Preá.
A cena foi filmada pela Rede Record e exibida no programa do Ratinho. Rippa, porém, diz que não é ele quem aparece na filmagem e sim um motorista. Ele é também acusado de assédio sexual em um inquérito no 39º Distrito Policial. Em seu depoimento, ele disse ainda que "politicamente a Lapa é do Izar". O fiscal Januário Costa Santos também foi ouvido pela polícia ontem, mas seu depoimento não foi divulgado para a imprensa.

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