Ex-acusados do caso Bodega confirmam tortura policial
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de dezembro de 1996
Marcelo Faria de Barros 
SÃO PAULO - Novas denúncias de tortura foram feitas ontem na Corregedoria da Polícia Civil por dois acusados de participação no crime da Choperia Bodega. Presos por 22 dias no 15º DP (Itaim Bibi), eles foram libertados por falta de provas. O pintor Jaílson Ribeiro dos Santos e Benedito Dias de Souza, ambos de 23 anos, confirmaram terem sido torturados.
Uma manhã eu fui pendurado nu e de cabeça para baixo num ferro colocado entre duas mesas na sala dos investigadores, contou Souza antes de prestar depoimento. Durante uma hora e meia, com as mãos amarradas para trás, levei choques no órgão genital e nas nádegas. Os policiais queriam que eu confessasse a morte da estudante e do dentista, mas eu não confessei porque não tinha nada a ver com crime, acrescentou.
Santos também confirmou as torturas: Eles me penduraram no pau-de-arara e me deram choques, socos e pontapés. Os dois relataram que a violência foi praticada por oito policiais, entre eles um delegado.
Eu e o Jaílson fomos presos porque conhecíamos o Natal Francisco Bento dos Santos, acusado pelo menor de estar envolvido nas mortes da Adriana Ciola e do dentista José Renato Posada Tahan, lembrou Souza. Na madrugada de 22 de setembro, eu estava dormindo na casa do Jaílson em Embu quando os policiais chegaram. Eles nos agrediram nas frente de parentes e vizinhos e depois nos jogaram algemados no camburão. Na delegacia, ficamos três dias sem comer ou beber água, revelou.
Os rapazes compareceram à Corregedoria acompanhados dos advogados Maria Elisa Munhol e Ubiratan Alencar.


