Evolução técnica anima Acioly e aumenta rivalidade com franceses
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de julho de 1999
Por Chiquinho Moreira Leite 
Pau, França, 12 (AE) - O ritmo dos treinamentos da equipe brasileira da Copa Davis está forte. A calma e tranquilidade do lugar em que os brasileiros estão hospedados, quase uma beira da estrada, da já normalmente pacata cidade de Pau, sudoeste da França, favorece o esquema de concentração dos jogadores. Com horas de horas de quadra, a evolução técnica tem sido animadora, como diz o capitão do Brasil, Ricardo Acioly.
"Os jogadores estão conseguindo excelentes resultados nesta fase de treinamento", garante Acioly. "O Guga está forte no saque e nos seus golpes, o Meligeni também progrediu bastante sua adaptação às quadras rápidas e está com uma devolução de serviço muito boa."
A rotina intensa de treinos e a distância de tudo, em Pau, não foi suficiente para afastar os tenistas brasileiros da lembrança de 1 ano da perda da Copa do Mundo para a França. Os jogadores preferiram falar da Copa América e a vitória sobre a Argentina, como uma forma de driblar a derrota brasileira, mas o técnico Ricardo Acioly encontrou uma boa saída para enfatizar o clima festivo dos franceses. "Na Copa do Mundo o Brasil era favorito e acabou perdendo", disse.
"Agora, os franceses são os favoritos na Copa Davis e, quem sabe, não irão perder".
A rivalidade já começa a ficar mais acentuada com a proximidade dos jogos. Brasileiros e franceses estão no mesmo hotel e, velhos conhecidos de circuito, os jogadores são cordais uns com os outros, mas pouco se encontram e conversam.
A torcida também promete esquentar ainda mais a atsmofera. Os 7,5 mil ingressos para o primeiro dia de jogos já estão praticamente vendidos, num ginásio com domínio absoluto de franceses. Os brasileiros em Pau não deverão ser mais do que 100.
O vice-presidente da Confederação Brasileira de Tênis, Carlos Alberto Martelotti, informou que, no Brasil, só foram vendidos pouco mais de 50 ingressos (pacotes para três dias), mas acredita ver outros brasileiros em Pau, talvez, alcançando o total de 100.
"A torcida aumenta o favoritismo dos franceses", adverte Acioly. "O ginásio é muito grande e dá idéia que poderia acomodar muito mais pessoas, e os torcedores devem também pressionar muito seus jogadores." Acioly, porém, lembra que os tenistas brasileiros já estão experientes em jogos da Copa Davis e não deverão se pertubar com os torcedores. Tanto Gustavo Kuerten, como Fernando Meligeni, e mais ainda Jaime Oncins, passaram por experiências marcantes em confrontos da Davis.
Os treinos e, consequentemente, os acertos nas principais jogadas das quadras rápidas, como saque, devolução, voleios e passadas, também ajudam ao time brasileiro a ganhar confiança. Acioly conseguiu levar para Pau um bom número de jogadores. Além da equipe formada por Guga, Meligeni, Oncins e André Sá, estão também Flávio Saretta e Adriano Ferreira (que chegou hoje), ajudando nos treinamentos. Assim, o grupo de brasileiros pode dividir-se em dois, usando a quadra principal e uma outra só para treinamentos.
"Este ritmo de treinos seguirá até quarta-feira", contou Acioly. "Depois, diminui bem, já com a proximidade dos jogos."
Enquanto isso, a equipe francesa já se mostra um pouco mais descontraída. Alguns jogadores, como Sebastian Grosjean, Fabrice Santoro e Olivier DeLaitre estiveram domingo na praia de Biarritz, a 100 quilômetros de Pau. O único que passou o dia treinando foi Cedric Pioline. Guillaume Raoux está confirmado como reserva e vem ajudando o técnico Guy Forget nos treinamentos.


