Evolução também para as crianças
Em setembro de 2007, a foto de um garoto de três anos de idade, ''bochechudinho'' e paramentado como piloto de avião encantou os leitores da FOLHA. O menino é Gian Meneghetti Cahun, que luta contra uma leucemia. Sabendo do sonho dele de ser piloto, o Aeroclube de Londrina presenteou o pequeno paciente do Hospital do Câncer com um voo. A aventura virou notícia de capa do jornal.
Mais de dois anos depois, Gian continua querendo ser piloto e não se esqueceu do dia do seu primeiro e único voo. Quanto à doença, as notícias são boas. O menino está evoluindo bem, já deixou as sessões de quimioterapia há um ano e agora faz apenas consultas e exames mensais. ''Cada vez que vamos para o hospital dá um friozinho na barriga. A médica dele explicou que existe a chance de a doença voltar. Alta mesmo só daqui a quatro anos'', explica a mãe de Gian, Francislaine Meneghetti Cahun.
Mais raro
A história do menino que quer voar exemplifica a evolução que houve também para o caso dos tumores infantis. Um levantamento que acaba de ser divulgado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostra que os avanços no tratamento e o diagnóstico precoce reduziram as taxas de mortalidade por leucemia em crianças e adolescentes nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste entre 1979 e 2005. A maior redução, 31,2%, foi no Sul.
O câncer infantil tem características muito diferentes do câncer em adultos. Para começar, é mais raro. Apenas 2% de todos os tumores são registrados em pessoas de zero a 21 anos de idade. Além disso, compreensivelmente, as principais causas não são fatores externos, como o cigarro é para o câncer de pulmão, relativamente comum em adultos tabagistas. ''Para as crianças, já partimos do pressuposto que a doença é causada muito mais por fator genético do que externos'', confirma a única oncologista pediátrica de Londrina, Tania Anegawa.
A médica comenta que falta descobrir o que exatamente ''dispararia o gatilho'' dos fatores genéticos para que a doença se desencadeie. ''Quando soubermos, estaremos a um passo da cura'', comenta. ''Alguns fatores são clássicos, como a radiação; cujos efeitos negativos já puderam ser observados nos casos das bombas e dos acidentes nucleares. Também sabemos que crianças com Aids têm mais chance de desenvolver o câncer. Porém, a grande maioria dos casos não tem relação com nenhum desses dois fatores'', completa a oncologista.
Contudo, se uma ''vacina'' ou até a cura completa ainda não são realidades, o tratamento evoluiu. De acordo com Tania Anegawa, a taxa de cura para a leucemia já chega a 97%. Para os outros tumores, 70%. Houve uma grande evolução dos antibióticos, que possibilitaram maior sobrevida às crianças. ''Antes da melhora dos medicamentos as crianças não morriam por causa da doença, mas pelo tratamento quimioterápico'', atesta a médica.
O diagnóstico precoce também é importante para a diminuição das taxas de mortalidade. A prova disso está nos números divulgados pelo Inca em relação à leucemia infantil. Enquanto a mortalidade pela doença caiu nos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que têm estruturas hospitalares mais avançadas, nas regiões Norte e Nordeste o número de mortes por milhão de crianças e adolescentes em decorrência da leucemia aumentou 80% entre 1979 e 2005. O motivo é simples: antigamente a doença não era diagnosticada e nem notificada pelos hospitais naquela região.
Para os pais fica a dica: prestar atenção em sinais físicos da criança que podem evidenciar algum tumor. São eles: cansaço, palidez, dor de cabeça com vômitos pela manhã, inchaços, nódulos, hematomas que não sejam causados por trauma, mancha branca nos olhos, dificuldade para enxergar e aumento do tamanho das articulações.(W.S.)





