Genebra - A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou ontem que o Brasil vive a "estação alta" de proliferação da zika e apontou que se acumulam as evidências da relação entre o vírus e os casos de microcefalia. A entidade convocou uma nova reunião de emergência dos especialistas internacionais para o dia 8 de março, com a possibilidade de que o alerta mundial seja incrementado.
Em entrevista à imprensa internacional em Genebra, o diretor de operações da OMS para a zika, Bruce Aylward, atualizou os resultados de pesquisas realizadas pelo mundo. "Hoje, temos registrado o vírus em 47 países", disse Aylward, que admitiu que o surto é um dos "mais desafiadores" que ele já enfrentou.
Mas são as relações entre o vírus e a microcefalia que mais chamam a atenção dos técnicos. "Estamos vendo uma acumulação da relação casual", disse. Ele confirma que o aumento dos casos no Brasil é "substancial" e que pode ser mais de dez vezes superior à taxa anual de microcefalia.
Ao mesmo tempo, ele apontou que não existem contraprovas de que outro fator esteja sendo o responsável pelos casos. "As evidências contrárias não estão sendo registradas. Não temos visto outros fatores", afirmou.
"Fomos procurar se existem explicações alternativas para a microcefalia. Poderia ser genético, exposição à bebida, drogas e infecções. Em cada local investigado, nada tem sido encontrado para apontar para outras causas. Só nos deixa com essa associação entre o zika e a microcefalia. Mas a questão é saber até que ponto é forte essa associação", explicou.
Aylward também destacou que não existem indícios de que a microcefalia teria sido causada por produtos químicos. "Os pesquisadores estão vendo um número maior de doenças em mães que tiveram filhos com microcefalia", indicou.

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