Everardo Maciel vive sob pressão e sofre desgaste2/Mar, 20:42 Brasília, 02 (AE) - Apesar de já ter feito aniversário no mês passado, politicamente o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, atravessa um inferno astral, sob pressão de políticos e autoridades do governo, insatisfeitos com suas posições. Depois de divergir do próprio chefe, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, ao apoiar a quebra do sigilo bancário dos laboratórios farmacêuticos, aumentaram as especulações sobre o afastamento do secretário, negadas, porém, pela Fazenda e pelo Palácio do Planalto. Antes das divergências com Malan e políticos governistas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Medicamentos, Maciel já vinha irritando os ministros do Desenvolvimento, Alcides Tápias, do Trabalho, Francisco Dornelles, e da Casa Civil, Pedro Parente. Tápias aguarda impaciente que a Receita cumpra decisão presidencial de transferir a competência de legislar sobre os impostos de importação e exportação para seu ministério. A iniciativa, apoiada por Parente, encontrou resistência na Receita e ainda não foi efetivada. Dornelles e Tápias também gostariam de ver o secretário enquadrado por seu superior, Pedro Malan, para definir o incentivo fiscal ao programa de renovação da frota de automóveis com mais de 15 anos de uso. O programa, ansiosamente aguardado pelo governador tucano de São Paulo, Mário Covas, pela indústria automobilística, pelos sindicatos de trabalhadores e por membros do próprio governo, também não foi aprovado por Everardo Maciel. A aprovação do projeto substitutivo na comissão especial da reforma tributária, com vários pontos de divergência com o governo, foi atribuída por assessores palacianos à postura " olímpica" do secretário. "Se a proposta não for a dele, não presta", disse um seu desafeto. Críticas à dificuldade de relacionamento com o Maciel são levadas com frequência ao presidente da República. Nos últimos dias, elas se intensificaram, porque o governo acabou sendo atropelado pelo Congresso, na discussão da reforma tributária. A posição do presidente é de deixar o problema para Malan resolver, embora não seja do estilo do ministro da Fazenda impor-se a seus subordinados. "O presidente espera que o ministro exercite sua autoridade", diz um assessor palaciano. Maciel é tido como um servidor público incorruptível e eficiente, mas com visão restrita aos problemas tributários. Tem apoio político no PFL, principalmente do vice-presidente Marco Maciel. "É difícil derrubar o secretário, mas que há muita gente importante desejando, isso há", resume o assessor.