São Paulo, 12 (AE) - A eventual abertura do processo de impeachment do prefeito Celso Pitta está sendo interpretada, também, como uma estratégia política para desviar a atenção da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais e tentar evitar que os integrantes avancem nas investigações. Alguns vereadores, que não quiseram se identificar, admitiram que o processo é uma forma de comprometer mais parlamentares em supostos esquemas de corrupção.
Um parlamentar do PPB afirmou que muitos colegas que se empenharam na aprovação do parecer, inclusive nos bastidores, querem, na verdade, retirar a CPI das atenções da mídia e dos demais colegas. Para outro pepebista, a principal preocupação refere-se às investigações nos módulos do Plano de Atendimento à Saúde (PAS). Recentemente, a Polícia Civil apreendeu notas fiscais em alguns módulos que indicam superfaturamento nos gastos. "Enquanto nas regionais as denúncias eram verbais, no PAS está tudo documentado", explicou o pepebista. "A consequência disso tudo é imprevisível", sentenciou.
O presidente da CPI, José Eduardo Martins Cardozo (PT) afirmou que os trabalhos não serão prejudicados. "São dois trabalhos paralelos e com objetivos diferentes", justificou. Segundo ele, pode até haver benefícios para as duas comissões. "As investigações da CPI podem até esclarecer fatos para a comissão do impeachment", observou Cardozo.
Para Salim Curiati Jr. (PPB), o eventual enfraquecimento da CPI dependerá dos membros da comissão processante. "Caso seja uma comissão formada por membros que apóiam o prefeito, o foco continuará na CPI", disse Curiati. Curiati não acredita em uma eventual interferência do Palácio das Indústrias no andamento dos trabalhos e no voto dos vereadores caso a cassação seja levada para o plenário. Ele lembra que a alta rejeição da população ao prefeito e a pressão da opinião pública e da imprensa serão fundamentais na hora do voto de cada parlamentar. "E o Palácio perdeu o controle na Câmara", completou o vereador.
"Vamos continuar tocando nosso trabalho com a mesma seriedade", disse o relator da CPI, Milton Leite (PMDB). Ana Maria Quadros (PSDB) lembrou que, caso as investigações da máfia das propinas sejam enfraquecidas na Câmara, elas continuarão no Ministério Público Estadual (MPE) e na Polícia Civil. "Quem tiver de ser envolvido será de qualquer maneira", completou a tucana.

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