Dimitri do Valle
De Curitiba
Palestras, homenagens, apresentações culturais e religiosas marcam em Curitiba a programação da passagem dos 304 anos da morte de Zumbi dos Palmares e o Dia Nacional da Consciência Negra. Os eventos começaram ontem e se estendem até sábado, quando as duas datas serão lembradas.
Amanhã, no auditório da Rua da Cidadania do Bairro Fazendinha, um grupo de hip-hop se apresenta a partir das 15 horas. Haverá ainda apresentação de capoeira e um contador de história que vai relatar contos africanos. Às 17 horas de hoje, os deputados paranaenses se reúnem na Assembléia Legislativa para prestar homenagens a lideranças da comunidade negra na capital.
O cônsul do Senegal Ozeil Moura dos Santos e representantes do Grupo Folclórico Afro-Brasileiro, do Centro de Integração Social, Cultural, Comercial e Turístico Afro-Brasileiro e a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Senegal-África serão os homenageados.
Além de toda programação oficial, um dos pontos que mais deve nortear as discussões sobre o Dia de Consciência Negra é a atual situação do povo no País. ‘‘É preciso fazer uma reflexão: como vamos entrar no próximo milênio com mais cidadania para o povo negro’’, questiona José Maurino de Oliveira Martins, integrante dos Agentes de Pastoral Negros, um grupo ecumênico que participa de projetos na área educacional e religiosa em todo o País. Maurino considera que o negro poderia ter um espaço maior em Curitiba. ‘‘Somos 23% da população.’’
Para o presidente da Associação Cultural de Negritude e Ação Popular dos Agentes de Pastoral Negros, Jaime Tadeu da Silva, a passagem dos 500 anos do Brasil é um momento de profunda reflexão. ‘‘Neste aniversário do País, não se está resgatando o conjunto da cidadania da população’’, analisa. O modelo atual de ensino contribuiu para que o povo negro fique longe das escolas, diz Silva. Ele menciona que os livros de história não dão a mesma dimensão a personagens que tiveram importante significado para os negros.
Em Londrina, os eventos começaram sábado e se encerram no domingo, com uma apresentação de músicas e danças afro-asiáticas, às 18 horas, no Ginásio de Esportes Moringão. A promoção é do Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos com participação do Núcleo do Movimento Negro.
‘‘Toda a programação está sendo acompanhada por mais de 200 pesssoas diariamente’’, informou Eduardo Judas Barros, presidente do Núcleo Afro-Asiático. Entre os assuntos debatidos durante a semana, está a formação do Conselho Municipal da Negritude de Londrina (CMNL).
Desde ontem, está aberta na Secretaria de Cultura do Município (área central) uma exposição de artes plásticas com obras de artistas negros contemporâneos de Londrina. O professor aposentado da UEL, sociólogo Luis de Mello, observou que os eventos resgatam pontos da sociedade negra. ‘‘Devemos fazer uma restrospectiva histórica sobre Zumbi dos Palmares, para resgatar nossos antepassados e discutirmos nosso futuro.’’ (Colaborou Paulo Ubiratan, de Londrina).Os 304 anos da morte do líder Zumbi e o Dia da Consciência Negra estão sendo comemorados com palestras, homenagens e eventos culturais
Arquivo FolhaREFLEXÃOSociólogo Luiz Mello: ‘‘Devemos resgatar nossos antepassados para discutirmos o nosso futuro’’

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