Eventos devem movimentar R$ 30 mi
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sábado, 27 de setembro de 1997
Agência Estado Rio 
Arquivo FolhaA Arquidiocese espera comercializar 1,8 milhão de selos comemorativosPara arrecadar fundos para a visita do papa João Paulo II, Jomar Pereira da Silva, um dos mais respeitados publicitários do Rio, sempre usou o argumento do retorno institucional. Vale a pena para qualquer empresa ter o nome associado a um evento como esse, mesmo que não haja lucro direto e imediato. Os eventos, ao longo de quatro dias, deverão movimentar R$ 30 milhões e estão criando, direta e indiretamente, dez mil empregos ou postos de trabalho. Todo o mercado fica aquecido, é bom para todos, sustenta o publicitário.
A cinco dias da chegada do papa João Paulo II ao Rio, a comissão organizadora da visita já admite prejuízo, que será coberto depois que o papa retornar a Roma. Do orçamento de R$ 7,4 milhões, foram recolhidos R$ 6,25 milhões em dinheiro e serviços. Falta R$ 1,15 milhão. Não haverá rombo, porque o brasileiro costuma contribuir na última hora, diz, confiante, o coordenador de marketing do evento, Jomar Ferreira da Silva. Na verdade, poucos terão lucro imediato.
Noventa empresas fizeram doações - poucas contribuíram com mais de R$ 100 mil. Dessas, apenas cinco recorreram aos benefícios da Lei Rouanet - para os eventos culturais da Festa do Testemunho, no Maracanã -, o que fez com que a comissão organizadora angariasse R$ 600 mil, graças ao incentivo fiscal. Cem produtos com a logomarca da visita do papa serão comercializados por 72 microempresas. Dez por cento das vendas ficarão com a Arquidiocese, que espera arrecadar R$ 500 mil.
Para tentar incrementar a venda dos produtos do papa, a Arquidiocese inaugurou um novo site na Internet, com as lembranças da visita e os preços - o papa.net. Uma das curiosidades é o kit missa campal (com lenço, viseira, mochila, guia livro litúrgico e um mapa da cidade), que está sendo vendido por R$ 10, e o kit peregrino (colchonete, travesseiro, lençóis, fronha e toalha), por R$ 20. Por enquanto, só 40 produtos foram cadastrados na página do papa, visitada diariamente por cerca de 400 pessoas.
Silva procura alternativas, com parcerias como a feita com os Correios, que lançou o selo comemorativo da visita do papa. Com a venda de 1,8 milhão de selos, 30 mil postais, 20 mil envelopes e 1,7 mil camisetas, a Arquidiocese - que tem direito a 10% do total da venda - deverá receber R$ 237 mil.(Claudio Renato)


