São Paulo - Uma série de eventos mobiliza, durante esta semana, em Brasília, governo federal e organizações não-governamentais (ongs) que atuam em prol da Mata Atlântica, com ações voltadas para fiscalização, legislação e recuperação do bioma. Ele é o segundo mais ameaçado do mundo, perdendo apenas para as quase extintas florestas da ilha de Madagáscar, na África.
A maratona começou ontem, com uma reunião conjunta entre Ministério do Meio Ambiente, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Rede de ONGs da Mata Atlântica. Ela é preparatória para o 1º Seminário sobre Fiscalização na Mata Atlântica, que acontecerá em junho. Entre hoje e sábado, acontece o Encontro Nacional da Rede de Ongs, que reunirá cerca de 100 entidades de 17 Estados e começa com uma manifestação na Câmara dos Deputados pela aprovação do projeto de lei da Mata Atlântica, em tramitação no Congresso há 11 anos.
Durante o encontro de ontem, na sede do Ibama, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, assinou portaria que institui o Grupo de Trabalho do Bioma da Mata Atlântica, no âmbito da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA. Para a ministra, a criação do grupo formado por representantes do governo e da sociedade civil e a reunião preparatória representam uma resposta ao esforço de toda a sociedade pela preservação do bioma mais ameaçado do País, que deverá resultar em uma frente de proteção ambiental.
Segundo Miriam Prochnow, da coordenação da Rede Mata Atlântica, o seminário é uma antiga reivindicação das ongs para discutir mecanismos de participação da sociedade civil. ''É preciso intensificar a formação de conselhos para licenciamento nos Estados, com representação da sociedade, e modernizar os mecanismos de fiscalização'', disse Miriam. Para a ambientalista, um dos sistemas a serem adotados é o monitoramento por satélite, como já vem sendo feito no Mato Grosso.
Presente em 17 Estados brasileiros, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, a Mata Atlântica já ocupou 12% do território do País, com 1,3 milhão de quilômetros quadrados. Atualmente, está reduzida a 7% de sua área original, com cerca de 95,5 mil quilômetros quadrados. Mesmo severamente reduzidos, seus remanescentes asseguram serviços importantes para cerca de 120 milhões de pessoas que habitam seus domínios, como abastecimento de água, estabilidade do solo e equilíbrio do microclima.

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