Evento ecumênico reúne milhares
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sexta-feira, 16 de novembro de 2001
Renata Stuani<br>Agência Estado - De São Paulo 
Cerca de 4 mil pessoas participaram ontem do encontro ecumênico ''Fé no Voluntariado'', no Ginásio da Portuguesa de Desportos, em São Paulo. O evento teve a participação de artistas e representantes das religiões católica, evangélica, judaica, budista, espírita, afro-brasileira, messiânica e seicho-no-iê. A iniciativa foi do Comitê Brasileiro para o Ano Internacional do Voluntário, presidido no País por Milú Villela. O objetivo, segundo ela, foi celebrar o trabalho solidário das comunidades religiosas, que representam 57% dos voluntários em atividade no Brasil.
Milú foi ontem para Genebra (Suíça) apresentar os resultados do Ano Internacional do Voluntário, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), no Brasil. ''O Brasil se destacou como o País em que houve maior cobertura da mídia em apoio ao trabalho voluntário entre as 123 nações participantes do programa da ONU.''
De acordo com ela, o País tem cerca de 50 milhões de excluídos - pessoas que ganham menos do que os R$ 80 necessários por mês para comprar a cesta básica. ''O trabalho voluntário está crescendo e é uma das formas de combater as desigualdades.'' O Comitê vai encomendar uma pesquisa a um instituto para saber qual o perfil do voluntário brasileiro. Segundo Milú, o resultado deverá ser divulgado em fevereiro.
O escritor e teológo Frei Betto afirmou ser preciso diferenciar o trabalho voluntário do ''trabalho gratuito'', que reduz os empregos e aumenta ainda mais as desigualdades sociais. ''É preciso lutar por políticas públicas concretas, de caráter social.''
De acordo com dados divulgados por Milú Villela, o interesse dos brasileiros pela participação em trabalhos solidários está crescendo. O número de candidatos que entram em contato com Centro de Voluntariado de São Paulo (CVSP) buscando orientação dobrou em relação ao ano passado.
O ponto alto da confraternização foi um abraço das comunidades judaica e muçulmana. O rabino Henry Sobel abraçou o representante da ordem muçulmana Sufi Halveti Jerrahi no Brasil, Sheikh Muhammad Ragip. ''O abraço do Sheikh Muhammad Ragip e do rabino Henry Sobel no momento em que o conflito entre eles é tão forte lá fora, mostra que o voluntariado é a religião do amor', disse Frei Betto, um dos organizadores do evento.


