Evento debate redução de danos
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segunda-feira, 20 de maio de 2002
Rosana Félix Equipe da Folha 
Curitiba - A falta de uma lei estadual sobre redução de danos e o preconceito da sociedade com os usuários de drogas foram os principais problemas levantados ontem na abertura do I Intercâmbio de Projetos de Redução de Danos, em Curitiba. No evento, que termina hoje, foram apresentados experiências bem-sucedidas no Paraná, Bahia e Rio de Janeiro.
As ações da redução de danos consistem em um conjunto de medidas de saúde pública voltado a minimizar as consequências do uso de drogas. Uma das funções dos redutores, por exemplo, é disponibilizar seringas descartáveis para os usuários de drogas injetáveis.
A Jera Cooperativa de Trabalhos na Área da Toxicomania, organizadora do evento, vai promover discussões nos próximos dias para a criação de uma lei de redução de danos em Curitiba, assunto levantado ontem. Londrina e Foz do Iguaçu já aprovaram projetos sobre o tema. O objetivo da lei é fazer com que a redução de danos passe a ser uma política de saúde do município, disse a presidente da Rede Paranaense de Redução de Danos (Repare), Rosa Maria Jerônimo Lima. A lei nos dá um respaldo para fazermos a entrega de material, como as seringas, sem sofrer ação policial, completou.
Para Rosa, a criação de uma lei estadual, como já foi aprovada no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Bahia, é fundamental para que as ações de redução sejam eficazes. O Paraná é um estado extremamente conservador. Não há nenhuma proposta nesse sentido, observou. Mas além de uma lei, a sociedade precisa entender que o usuário de droga é cidadão e também precisa de atendimento. Temos que desmistificar que o usuário de droga é bandido, avaliou.
A presidente da Jera Cooperativa, Maria Cecília Cardoso Telles, também critica a falta de legislação sobre o assunto. O Paraná é como uma ilha, isolada das decisões de outros Estados, observou. Segundo ela, o objetivo da redução de riscos é trabalhar pela dignidade e o acesso à cidadania. No Paraná, há 22 projetos de redução de riscos, financiados pelo Ministério da Saúde. Nas comunidades onde atuamos, os projetos têm sido bem aceitos. Há maior dificuldade onde há profissionais com uma linha tradicional, completou.


