Depois do câncer de pele não melanoma, o câncer de mama é o tipo mais frequente da doença entre as mulheres, correspondendo a cerca de 25% dos novos casos diagnosticados a cada ano no mundo. No Brasil, esse percentual é de 29%, segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer). Quando descoberto no início, a chance de cura do câncer de mama é de 90% a 95%. Para conscientizar a população sobre a importância da prevenção, o HCL (Hospital do Câncer de Londrina) promoveu, neste domingo (6), a quarta edição da corrida do Outubro Rosa, a Go Pink, em parceria com o Movimento Outubro Rosa.

A corrida aconteceu no entorno do aterro do Lago Igapó e reuniu 1.350 participantes. No evento, mulheres e homens vestiram rosa porque, assim como a cor, a luta contra o câncer de mama também não é uma questão de gênero. "Sempre participo de corridas com o objetivo de competir mesmo, mas hoje não estou competindo. Vim para ajudar o Hospital do Câncer. A prevenção do câncer de mama não é só responsabilidade da mulher, é do homem também. Estamos todos juntos na luta e não podemos esquecer que os homens também podem ter câncer de mama", disse o motoboy Paulo César da Silva.

A largada foi dada às 8 horas, depois de um aquecimento coletivo e da soltura de balões rosa que coloriram o céu parcialmente nublado. O percurso, de quatro quilômetros, foi dividido em duas modalidades: corrida e caminhada. A aposentada Marta Oliveira faz parte de um grupo de corrida e marca presença em todos os eventos do tipo na cidade como forma de cuidar da saúde, garantir o bem-estar e socializar. Mas neste domingo, comentou, a atividade tinha mais um caráter lúdico. Ela e outras colegas correram com saias de tule rosa sobre os shorts. "Viemos de sainha para fazer a diferença e mostrar o nosso apoio à causa."

Presidente executivo do HCL e praticante de corrida há 40 anos, Francisco Ontivero esteve entre os mais de 1.300 inscritos. "Corro três vezes por semana. Oito quilômetros na terça, oito na quinta e 12 no domingo. Hoje, estou aqui para chamar a atenção para a prevenção do câncer. Se a pessoa descobre a doença no início, é maior a possibilidade de cura e o tratamento sai mais barato para o hospital e para o governo", pontuou.

LUTA

A auxiliar Sandra Regina Camilio sofria de depressão e foi convidada para começar a correr. "Faz três anos e não parei mais. Já participei de várias provas, até da São Silvestre. Gosto de aventuras. Estou me preparando para o 6º Desafio das Catedrais (percurso de 130 quilômetros entre as catedrais de Maringá e de Londrina, em trechos rurais e urbanos), que acontece em dezembro." Participar da Go Pink, disse ela, é uma forma de chamar a atenção das pessoas sobre a importância de cuidar da saúde. "A gente conhece pessoas, faz novas amizades, faz bem para a cabeça e para o corpo."

A corrida já faz parte da rotina do assistente social Marcio Antunes, mas de uns tempos para cá o esporte tornou-se uma forma de expor uma luta pessoal contra o câncer e mostrar às pessoas que o diagnóstico da doença não precisa ser encarado como sentença de morte. A mulher de Antunes, Juliana Carvalho Lopes, está em tratamento contra um câncer no intestino e criou um perfil no Instagram onde narra o seu dia a dia, suas experiências e incentiva outras pessoas que passam pelo mesmo problema a enfrentá-lo com otimismo. Com a camiseta do @xo_cancer, Antunes terminou os quatro quilômetros de corrida em quarta colocação. "Muita gente resolve esconder a doença. Nós decidimos expô-la e olhar para o tratamento de forma positiva. A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional", ensina.

Para a pequena Sofia, de quatro anos, a Go Pink também teve gosto de superação. Ela acaba de ingressar no projeto Pernas Solidárias e participou do evento acompanhada dos pais, dos dois irmãos e da tia Danielli Fernanda da Silva, a perna solidária de Sofia, que usa cadeira de rodas. "Eu já ia participar da corrida e corri com a Sofia pela primeira vez. Foi bem gostoso. Ela ficou muito feliz, foi uma diversão", comentou Silva.

PREVENÇÃO

Chefe do serviço de mama do HCL e membro da Sociedade Brasileira de Mastologia, o mastologista José d'Oliveira Couto Filho disse que com a grande adesão ao programa de prevenção ao câncer de colo de útero, o câncer de mama passou a ser o primeiro mais recorrente em mulheres. Mas as campanhas de conscientização sobre a importância da realização da mamografia vêm mostrando resultados. Nos anos 1970, lembrou o médico, o câncer in cito (localizado), que é o estágio mais inicial da doença, correspondia a 1% ou 2% de todos os cânceres de mama. Hoje, esse percentual subiu para 20% em razão do maior número de exames que permite o diagnóstico precoce. "Hoje temos uma disponibilidade de exames muito boa na rede privada e na rede pública de saúde. As pessoas precisam se conscientizar mais da necessidade de fazer a mamografia. Está maior o número de casos de câncer de mama na população por causa da longevidade e de outros fatores não identificados", destacou Couto Filho.

Segundo o médico mastologista, o HCL recebe entre 18 e 20 novos casos da doença por mês. "Se descontarmos sábados, domingos e feriados, é mais de um caso por dia útil", alertou. "O diagnóstico precoce é muito importante porque além de aumentar para 90% a 95% as chances de cura, o tratamento é localizado, sem a necessidade de grandes mutilações", explicou. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda fazer a primeira mamografia aos 35 anos de idade. A partir daí, quando não há fator de risco, o exame deve ser repetido a cada dois anos e, após os 40 anos, o exame deve ser anual.

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