Londrina – O Dia Mundial da Vigília pelas Vítimas da Aids foi celebrado ontem, em Londrina, com um evento técnico, cultural e religioso promovido pela Prefeitura, ONGs e representantes da sociedade no palco à margem do Lago Igapó, próximo à barragem. Segundo a gerente do Programa Municipal de Aids, Regina Cortez, a campanha é realizada com abrangência global desde 1983, sempre no terceiro domingo de maio e tem o objetivo de conscientizar a comunidade sobre a Aids e amenizar o preconceito.
De acordo com dados da prefeitura, Londrina tem 1.978 pessoas portadoras de HIV em tratamento. Porém, de acordo com Regina, o Ministério da Saúde calcula que para cada caso de Aids diagnosticado há cinco pessoas infectadas com o HIV que desconhecem essa condição. Somente no ano passado, foram diagnosticados 44 casos de Aids na cidade; 34 homens e 10 mulheres. De 1985 - ano em que os casos passaram a ser registrados em Londrina – até 2013, foram 2.138 casos. Não há levantamento preciso de óbitos.
Rosângela (nome fictício) é uma sobrevivente. A artesã de 48 anos perdeu o marido, há 20 anos, e uma filha, há 16 anos, para a doença. Ela lembra que na época o tratamento ainda era difícil. "Os primeiros coquetéis estavam surgindo naquela época. Eu me submeti, já ele não quis tomar. As complicações aliada a depressão o levaram. Depois foi minha filha que não resistiu", lamentou. Hoje ela comemora os avanços da ciência no tratamento, mas ainda lamenta o preconceito arraigado na sociedade. "A discriminação é muito forte, por isso não tenho coragem de me identificar".
As pessoas que passaram pelo local foram convidadas a acender uma vela e depois a participar das atividades. O evento também contou com a participação de cantores locais, que tocaram músicas e confeccionaram um Laço Vermelho, um dos símbolos da luta contra a Aids no Brasil, que foi decorado com as velas acesas durante o evento. Houve também piquenique cultural, oficinas teatrais, varal de lembranças, teste rápido de HIV pela saliva e um culto ecumênico e uma roda de conversa com profissionais, estudantes e ativistas que debateu o preconceito e a discriminação de pessoas que convivem com a Aids.

Lado positivo
A tradutora Denise Maria Hecksher, de 52 anos, contraiu a doença em 2005. Desde que ouviu o diagnóstico de "HIV positivo", ela reúne forças para enxergar o lado positivo na experiência. "Vi ali uma oportunidade de mudar a minha vida. Comecei terminando um casamento que se arrastava desgastado havia décadas. Depois fui trabalhando melhor prioridades de vida, hábitos saudáveis", contou. O preconceito ainda faz parte da rotina dela. "Em festas de família, me dão copo descartável e até já chegaram a forrar o banco para eu sentar", contou.

Teste rápido
Quem passou pelo evento teve a oportunidade de fazer o teste rápido de HIV pelos fluidos orais. Com uma espécie de cotonete, os ativistas da ONG recolhiam amostras na saliva. Em seguida, um reagente era adicionado na plaqueta. O resultado, parecido com um teste de gravidez de farmácia, fica pronto em 20 minutos. "Não é um diagnóstico, mas uma triagem. Se apontar qualquer suspeita positiva, encaminhamos a pessoa para uma unidade de saúde", explicou Cristina Franzon. Quem quiser fazer um teste rápido da Aids deve procurar o Núcleo Londrinense de Redução de Danos, na Rua Senador Souza Naves, 189, Sala 12. Mais informações pelo telefone: (43) 3357-2306.

mockup