Os roncos dos motores fez a poeira levantar no ínicio de outubro em Londrina com a 4º edição do evento Antigomobilista no centro cívico. O evento reuniu entre oito a nove mil pessoas, incluindo crianças e veteranos.

Imagem ilustrativa da imagem Evento antigomobilista arrecada duas toneladas de alimentos
| Foto: Divulgação

Foram dois dias de festa, animados pelas bandas Geovanni e Banda, Galépticos, Banda Bora, Noite Torta e V10 e desfile do grupo Pin Up Red Feet , expositores, praça gastronômica e espaço kids. Uma das atraçoes do evento foi a presença do piloto tetracampeão da arrancada, Josimar Hudema e seu lendário Opala V8 4x4.

Grupo Pin Up Red Feet marca presença na 4a edição do Antigomobilista de Londrina
Grupo Pin Up Red Feet marca presença na 4a edição do Antigomobilista de Londrina | Foto: Fotografa / Regina Aranda

A GALERA


Entre os entusiastas do antigomobilismo estava o empresário londrinense, Felipe Francisquine,  que  já havia participado de um evento semelhante em Ibiporã e quando soube que teria uma edição na cidade tratou de marcar presença. Para Francisquine, o evento se destaca por conta do clima de amizade e solidariedade. "Eu acho que é a proximidade, amizade, aquela coisa gostosa dos carros antigos, isso me atrai muito", Sua relação com os carros é afetiva , Francisquine relembra com carinho de seu primeiro carro que comprou com apenas 17 anos. "Um chevette 77. Isso me marca até hoje, com certeza teria outro. Já tive cinco chevettes e teria outro sem pensar duas vezes."

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| Foto: Divulgação

Dirigindo o seu fusca branco, 68, com farol de coração, a arquiteta Ana Beatriz Matsubara, natural de Santana do Itararé, Norte Pioneiro, tem marca registrada no antigomobilista. Atraída por admirar carros antigos, Matsubara relata que não teve contato com esse tipo de automóvel antes. "Meu pai teve um fusca, mas ainda não tinha nascido. Esse (aponta seu exemplar) veio de uma rifa de quinze reais, ficou por muito tempo parado no sítio dos meus pais. Quando eu vim para Londrina e comecei a fazer estágio e trabalhar precisava de uma locomoção, pedi ao meu pai e ele trouxe, depois disso, peguei o gosto."

O empresário automobilístico Bruno Silva de Queiroz , nascido e criado em Londrina, foi ao evento motorizado com o seu fusca, 77. A paixão de Queiroz não é família, "por incrível que pareça meu pai odiava, ele falava que fusca não era carro", conta com entusiasmo que apesar disso ele sempre gostou, "eu sempre adorei esse carro - o fusca. Que carro incrível!".

Carlos Eduardo Leite, pé vermelho, se faz presente desde a primeira edição do evento, atraído por carros antigos, amigos, cerveja e churrasco. Relembra que não foi uma paixão por carros foi por hobbie."Isso foi um despertar, depois do meu primeiro casamento e aí hoje o fusca é o amor da minha vida", disse próximo de seu possante fusca branco dos anos 80 remodelado 62 estilo Rat Look.

O empresário do ramo de alimentos Thiago Torelli, londrinense nato, marcou presença pela segunda vez no evento com seu Fusca azul 1972, uma verdadeira relíquia. “Gosto de reunir a galera, ver os carros e conhecer pessoas de outras cidades que compartilham a mesma paixão”, contou.

Torelli relembra que sua história com os automóveis começou cedo: “Minha primeira paixão foi um Gol quadrado de 1991, que ganhei do meu pai aos 17 anos. Depois comprei um Fusca 67, e agora estou com o Fusca azul.”

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Bastidores

Domingos Santos, da Secretaria de Cultura de Ibiporã e integrante da banda Galepticos, se apresentou no sábado, marcando sua segunda participação consecutiva no evento. Para ele, o balanço é extremamente positivo: “Saldo de público excelente! Estamos muito felizes com o resultado, além da ótima organização e estrutura. É, sem dúvida, um dos melhores encontros da região”, afirma.

Apaixonado pela cultura retrô, Domingos conta que essa ligação vem de longa data: “Desde o início dos Galepticos, há 17 anos, sempre estivemos conectados com esse universo dos carros antigos e da estética pin-up e rockabilly. Isso está muito presente no nosso repertório, que vai dos anos 1950 aos 2000; de Elvis Presley a Lady Gaga, de Beatles a Depeche Mode.”

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| Foto: acervo aircooled 043

Segundo Santos, a conexão entre o rock’n’roll e os carros vintage é natural, “eles nasceram juntos. Na época de ascensão dessas canções, os carros eram parte da trilha e da imagem. Eventos como esse mantêm viva a memória cultural do nosso povo. Hoje, mais do que uma moda, é uma expressão cultural e estrutural, com linguagem, estilo e visual próprios. Que essa chama nunca se apague! Continuem celebrando o som, o visual e o estilo que marcaram gerações. As músicas e os carros antigos não são apenas relíquias, são expressões vivas de uma época em que arte e liberdade caminhavam lado a lado. Cada evento, cada motor ligado, une o passado e o presente".

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| Foto: Banda Galepticos/ Divulgação

Para incentivar a participação, a inscrição no evento foi simbólica: dois quilos de alimentos não perecíveis por carro exposto. Com 1.300 veículos inscritos, foram arrecadadas duas toneladas de alimentos, que serão destinadas a instituições sem fins lucrativos — entre elas, o Projeto Esperança Londrina.

Um dos organizadores, Leandro Guerra, celebrou o sucesso, mas fez um alerta: cerca de 250 quilos precisaram ser descartados por estarem vencidos. “Queremos pedir que, nas próximas edições, as pessoas fiquem atentas e não doem alimentos fora da validade”, destacou.

* coordenação de Patrícia Maria Alves (editora)

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