Evasão é menor entre as alunas
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de outubro de 1997
Agência Folha 
Brasília
De acordo com dados do Ministério da Educação, 49,7% dos 33,1 milhões de matriculados no 1º grau em 96 eram mulheres. No ensino de 2º grau, elas representavam 56,8% dos 5,7 milhões de matriculados. Isso significa que a evasão de alunos é maior que a de alunas. Nas universidades federais, elas também são maioria (51,4%, segundo pesquisa da Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior).
Podemos considerar isso natural, uma vez que há mais mulheres que homens na população brasileira (50,7%, segundo o IBGE), mas antes elas não tinham acesso à educação, diz Rosiska Dárcy de Oliveira, presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.
Um indicador disponível para comparar a situação com outros países da América Latina é a taxa de analfabetismo. Na Bolívia, segundo o anuário da Unesco de 96, 24% das mulheres com mais de 15 anos são analfabetas. O número cai para 9,5% entre os homens. No Peru, 17% dos analfabetos são mulheres e 5,%, homens. No México também há grande diferença (12,6% para as mulheres e 8,2% para os homens).
Na Argentina há empate (3,8%) e em Cuba, uma pequena diferença (4,7% dos analfabetos são mulheres e 3,8%, homens _leia quadro nesta página). Em países do Terceiro Mundo, as mulheres não vão para a escola porque se considera que os homens têm um papel mais importante. Em termos de indicadores educacionais, o Brasil se aproxima mais dos países em desenvolvimento do que dos de Terceiro Mundo, diz Maria Helena de Castro, presidente do Inep.
No Brasil, segundo dados do IBGE sobre analfabetismo em maiores de 15 anos, há uma pequena prevalência de analfabetas (15,7% dos analfabetos são mulheres e 15,5%, homens). Essa diferença se verifica sobretudo a partir dos 40 anos de idade. Da faixa etária que vai dos 15 aos 39 anos, a porcentagem de homens analfabetos é maior.
Dos 15 a 19 anos, 9,3% da população masculina é analfabeta. Entre as mulheres, a proporção é de 4,3%. Dos 15 aos 29 anos, 11% dos homens são analfabetos. Na mesma faixa, as analfabetas são 7,8% das mulheres.


