''Depois de me converter, tenho certeza que Deus está me preparando para enfrentar o mundo lá fora''. A declaração do presidiário Ivanildo Gomes da Rocha só reforçou a comemoração da equipe de evangelizadores ''O Semeador'', que realizou ontem de manhã um culto de ação de graças pelos 10 anos de trabalho evangélico no interior da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL)
Rocha está preso há 11 anos por latrocínio (roubo seguido de morte) e desde 1996 acompanha semanalmente o culto. Ele disse que o trabalho de evangelização contribuiu para mudar seu comportamento. ''Eu era uma pessoa revoltada, mas Deus transformou a minha vida e eu passei a olhar o mundo sob uma nova perspectiva'', afirma.
Na avaliação do coordenador da equipe de evangelizadores, Ademir dos Santos Paiva, o trabalho feito por voluntários de várias denominações evangélicas tem cumprido o objetivo proposto há 10 anos: fazer com que a palavra de Deus chegasse aos internos da PEL.
''Se agora eles não podem ir até a igreja, a palavra de Deus chega até eles'', declarou Paiva. O balanço do trabalho, segundo ele, é positivo e tem a adesão de cerca de 20% da população carcerária que é de 500 detentos.
Para o detento José Carlos Magnani, preso desde 1996 por latrocínio, o trabalho do grupo ajudou na sua conversão. Ele afirma que seu comportamento está diferente de quando entrou na penitenciária e já tem um objetivo para o dia que sair de lá: ''Meu maior desejo é sair e ser um mensageiro da palavra de Deus''.
O diretor da PEL, Raimundo Hiroshi Kitanishi, confirmou a eficiência do trabalho de evangelização. ''É essencial e ajuda na reintegração dos detentos na sociedade''. Além disso, ele informou que esse trabalho cumpre com a Lei 7.210/84 de execução penal, que obriga o Estado a oferecer assistência religiosa. Os cultos são realizados todos os sábados, desde a inauguração da penitenciária há 10 anos.

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