Evangélico fez mais de 15 mil atendimentos pelo SUS no ano passado
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quarta-feira, 08 de agosto de 2018
Vitor Ogawa e Isabela Fleischmann<br>Reportagem Local 
O Hospital Evangélico foi fundado em 1948 e atende a região metropolitana de Londrina, alcançando também outros estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul. É um dos principais hospitais que realiza atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde ) na região. O Evangélico possui 339 leitos, sendo 51 de UTI (Unidade de Terapia Intensiva ) adulto. Por ano, são realizados em suas dependências mais de 64 mil atendimentos no pronto-socorro, 22.985 internações, 18.663 cirurgias e 3.280 partos. Dos atendimentos realizados pelo Hospital Evangélico de Londrina no primeiro bimestre de 2018, cerca de 80% foram para pacientes do SUS. Em 2017, foram mais de 15 mil pelo Sistema Único de Saúde. O seu corpo clínico é composto por mais de 900 médicos de diferentes especialidades.
Segundo a assessoria de comunicação do hospital, não há como saber se o recurso desviado é oriundo do SUS ou não porque o caixa é único e por ele são recebidos recursos de convênios, SUS e atendimentos particulares realizados pela instituição. A assessoria afirma que o desvio foi constatado por uma auditoria interna referente aos atendimentos nos anos de 2016 e 2017 e não há certeza se isso ocorreu em 2018 também. Foi por meio dessa auditoria que foram obtidas provas que incriminavam a funcionária e que possibilitaram a sua demissão e a comunicação da ocorrência à polícia.
A assessoria de comunicação do Evangélico informou que a direção do hospital preferiu se pronunciar por nota oficial e não quis conversar com a reportagem, alegando que neste momento qualquer declaração poderia interferir nas investigações.
Arrecadação
O suposto desvio de R$ 1,29 milhão impressiona pelo grande volume e atinge um hospital que possui dificuldades de arrecadação de recursos, pois é uma instituição filantrópica e sem fins lucrativos. Para efeitos comparativos, recentemente o hospital havia anunciado a construção de uma nova UTI, com 15 leitos, avaliada em R$ 844 mil. Ou seja, o suposto desvio pode ter superado em mais de R$ 450 mil o volume de recursos previstos para custear as obras tão necessárias para a melhoria de estrutura do hospital. A primeira etapa dessas obras terminaria em setembro deste ano. Nessa fase, foi previsto um investimento de R$ 500 mil em que seriam realizados reparos para modernizar a ala materno-infantil e da reforma da UTI para bebês, o que dobraria a capacidade de dez para 20 leitos na UCI (Unidade de Cuidados Intermediários). O restante dos recursos devem ser liberados em uma segunda etapa e com eles será realizada a reforma em leitos existentes e no posto de enfermagem. Um desfalque como esse apurado pela auditoria interna pode comprometer a saúde financeira da instituição.
Repasses
A reportagem procurou o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, que informou que não poderia dizer quanto de recurso oriundo do SUS é repassado ao hospital porque no momento da entrevista não tinha o contrato em mãos. Questionado sobre o impacto de um hospital que atende o SUS sofrer um desvio de recursos tão grande, Machado não quis se pronunciar. "Prefiro não falar sobre o assunto. Não sei o que aconteceu. Não sei se o dinheiro desviado era do SUS, já que o hospital atende convênios de planos de saúde e particulares também. Evidente que qualquer desvio deve ser apurado, seja particular ou público, e eu digo isso como cidadão, não como secretário municipal de Saúde, mas é complicado dizer qualquer coisa neste momento", afirmou.
O vice-presidente da Fehospar (Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviço de Saúde no Estado do Paraná), Fahd Haddad, também não quis se pronunciar sobre o impacto que um desvio em um hospital que atende o SUS pode ter na região, alegando que é um assunto da direção do Hospital Evangélico e que se trata mais de um caso de polícia do que algo a ser comentado pela Fehospar.
Ministério Público
Para o promotor de Defesa da Saúde Pública de Londrina, Paulo Tavares, embora o crime ainda esteja sendo apurado, os hospitais de forma geral mesmo os filantrópicos, como o Evangélico - passam por um período de carência de recursos. "O município tem uma dívida alta com todos prestadores dos hospitais por conta dos serviços que são realizados e não pagos. Isso está relacionado ao nosso fundo municipal de saúde, que deveria receber mais da União", alega. Por isso, Tavares argumenta que qualquer tipo de desvio já é impactante para o hospital. "Esperamos que essa investigação seja feita com rigor e que os usuários não sofram as consequências desse suposto desvio."
Esclarecimentos também serão pedidos pelo Conselho Municipal de Saúde, conforme afirma a presidente, Rosilene Machado, para averiguar a procedência desse dinheiro. "Recursos vinculados aos serviços públicos são uma preocupação", disse.


