Evangélico fecha UTI Neonatal e Pediátrica
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quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Londrina - Familiares de crianças ex-pacientes da UTI Neonatal e Pediátrica do Hospital Evangélico realizaram um protesto contra o fechamento da unidade na manhã de ontem, em frente à instituição. O objetivo era sensibilizar a comunidade médica e órgãos de saúde da importância da manutenção dos serviços. Porém, até a noite de ontem, o quadro não havia sido alterado.
A partir de hoje a UTI não recebe mais nenhum bebê ou gestante de alto grau de risco. "Isso não pode acontecer. É inadmissível ver uma estrutura como essa fechar por falta de ajuda", desabafou Adilson José Nogueira, de Apucarana (Centro-Norte), pai de trigêmeos prematuros de 30 semanas que estão internados há cinco dias. Os bebês não conseguiram vaga em Maringá e, por isso, foram encaminhados a Londrina. Atualmente, a unidade tem capacidade para dez pacientes, mas abriga 12. Para esta demanda, o ideal seria que, no mínimo, 11 médicos estivessem atendendo, mas somente cinco estão nas escalas de plantão.
O fechamento da unidade foi comunicado pela equipe médica há cerca de dois meses à diretoria clínica do hospital, Promotoria de Defesa da Saúde Pública, Conselho Regional de Medicina e 17ª Regional de Saúde de Londrina. Reuniões foram realizadas até o último prazo, mas a situação não foi revertida. Os motivos da paralisação do atendimento vão de baixa remuneração e atraso nos repasse de pagamentos a equipes insuficientes de plantonistas para completar as escalas, superlotação e excesso de trabalho.
Por um lado, o hospital alega a demora do repasse de recursos do município e dificuldade em encontrar médicos. Por outro, autarquia defende-se com a justificativa de que há problemas internos no hospital e que apenas 50% dos atendimentos da UTI são pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, houve uma proposta ao município para que médicos da atenção básica passassem a atender no local a fim de evitar o fechamento. Mas essa alternativa foi descartada pelo secretário municipal de saúde, Francisco Eugênio de Souza. "A UTI não atende apenas pacientes do SUS. Não posso retirar um profissional do Pronto Atendimento Municipal (PAM) e colocar no Evangélico", explicou. O promotor de saúde Paulo Tavares, por sua vez, afirmou que o município tem responsabilidade sobre os bebês que vierem a nascer. "Se o prestador de serviço não cumpre o convênio, cabe à administração encontrar outra opção para atender a demanda. Para algum lugar esse recém-nascidos terão de ir", disse. Ainda de acordo com o secretário, uma equipe da Unimed estaria tentando recrutar novos médicos para a UTI do Evangélico. A cidade conta com outros sete leitos de UTI Neonatal no Hospital Universitário e mais dez no Hospital Infantil.


