Uma paciente de 72 anos, moradora de Borrazópolis (Vale do Ivaí), foi a primeira paciente da América do Sul a passar por uma cirurgia robótica de coluna, na manhã desta segunda-feira (11), no HE (Hospital Evangélico) de Londrina. O sistema ExcelsiusGPS, tecnologia recém-incorporada ao parque robótico da instituição, marca um novo passo do hospital no uso de plataformas robóticas para cirurgias de alta precisão. O auxílio das máquinas permite procedimentos menos invasivos, recuperação mais rápida e uma exatidão próxima de 100% na colocação e fixação de próteses.

Segundo o chefe do serviço de Residência em Neurocirurgia do Hospital Evangélico, Carlos Zicarelli, a paciente apresentava fraturas espontâneas, ou seja, sem a ocorrência de traumas, na quinta vértebra cervical (C5) e na 12ª vértebra torácica (T2). Ela ainda reclamava de dores intensas, que já não passavam com analgésicos, e instabilidade vertebral, que permaneceu mesmo com outras alternativas, como o uso de colete corretor.

O caso dela se encaixava adequadamente para a adoção da nova técnica. “O hospital trouxe uma plataforma robótica, conectada a um sistema de navegação como se fosse um GPS. Antes da cirurgia, conseguimos planejar exatamente onde o parafuso vai entrar, qual o tamanho ideal e a melhor angulação”, explicou o médico.

O ExcelsiusGPS permite ao médico sobrepor à tomografia da coluna os pontos de colocação e encaixe de parafusos. Com os locais mapeados, um braço robótico de alta precisão dirige ao ponto mapeado a incisão e viabiliza que o profissional insira o parafuso no ponto exato, conforme planejado na fase anterior.

Para utilizar o sistema, os profissionais precisaram passar por qualificação internacional. O equipamento é indicado para tratamentos de fraturas da coluna, artrose, escoliose, estenose do canal vertebral, hérnias de disco com instabilidade e tumores, entre outras patologias envolvendo a coluna vertebral.

De acordo com Zicarelli, a precisão nos procedimentos é muito acima das técnicas tradicionais. “A acurácia chega a 99,7%, enquanto na cirurgia convencional fica em torno de 70%”, afirmou. Segundo ele, isso reduz significativamente o risco de desvios na colocação dos implantes e diminui a necessidade de reoperações.

Outro diferencial apontado pelo especialista é que os procedimentos são minimamente invasivos, substituindo cortes e abertura da musculatura por pequenos orifícios para estabilizar a coluna. Com isso, há menos dor no pós-operatório, redução do sangramento, menor tempo de internação e recuperação mais rápida.

“Dependendo do caso, o paciente pode operar de manhã e receber alta no mesmo dia”, disse o neurocirurgião. Ele ressaltou ainda que a tecnologia pode ampliar o acesso de pacientes idosos e com comorbidades a cirurgias que, pelo método convencional, apresentariam riscos maiores.

A tecnologia também reduz a exposição à radiação. Segundo Zicarelli, em cirurgias convencionais de coluna podem ser necessários mais de 100 exames de raio-X durante o procedimento. Com o ExcelsiusGPS, a equipe utiliza apenas uma imagem para o mapeamento inicial.

Investimentos e universalização

O diretor técnico assistencial do Hospital Evangélico de Londrina, João Roberto Pazini, afirmou que o objetivo da instituição é ampliar gradualmente o acesso à cirurgia robótica, inclusive para pacientes do SUS.

Desde 2024, o hospital utiliza o robô Da Vinci Xi para cirurgias cardíacas robóticas e,neste período, ao menos dez procedimentos foram executados em convênio com o SUS. “A nossa intenção é universalizar essa nova tecnologia dentro do hospital e montar modelos que viabilizem também o atendimento pela saúde pública”, afirmou.

Pazini destacou que, apesar do investimento necessário para aquisição e manutenção dos robôs, os benefícios compensam os custos devido à redução do tempo de internação, menor índice de complicações, menor necessidade de transfusões e recuperação mais rápida dos pacientes.

“Em cirurgia, o que se leva em conta é a satisfação do paciente e o desfecho cirúrgico. Com o ExcelsiusGPS, os benefícios são vários”, afirma. Entre as vantagens, Pazini enumera o tempo de cirurgia muito menor; recuperação mais rápida; sangramento mínimo, sem necessidade de transfusão. “Além disso, em comparação a uma operação tradicional, em que o paciente leva de três a quatro dias para recuperar, com o auxílio robotizado, pode operar de manhã e ter alta à tarde”, ressalta.

Em relação ao desfecho, ou sucesso do procedimento, o diretor técnico salienta que a precisão da cirurgia é precisa, praticamente eliminando erro médico e aumentando a satisfação do paciente. “Com certeza, é uma tecnologia que veio”, diz.

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