Curitiba – Um ano depois da prisão da médica Virgínia Helena Soares de Souza e de outros suspeitos, o Hospital Evangélico de Curitiba ainda enfrenta dificuldades por conta das perdas financeiras e de imagem provocadas pelo episódio. "Conseguimos transpor os obstáculos sem perder a qualidade de atendimento. Agora, temos que ser honestos. O episódio acabou afetando o hospital. Estamos agora recuperando e resgatando a imagem aos poucos, o que não ocorre de uma hora para outra", diz o diretor geral do hospital, Jurandir Marcondes Ribas.
Segundo ele, 90% dos atendimentos são feitos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) e que "é do conhecimento de todos os problemas financeiros enfrentados pelos hospitais filantrópicos". "Agora imagine tudo isso somado às dificuldades que um hospital da nossa complexidade tem. Por isso estamos
enfrentando as barreiras e caminhando para continuar com o atendimento", afirma.
A UTI Geral do Hospital Evangélico de Curitiba ficou fechada por quase duas semanas depois da prisão da médica e de outros funcionários do local. No total, 60 novos profissionais foram contratados. A UTI também passou por reforma e mudou de nome: foi somada a outras estruturas e agora se divide em UTI 1, 2 e 3. Também estão em funcionamento uma UTI Neonatal e uma UTI cardiológica.
"Depois de todo este tempo a gente tem sentido uma recuperação da imagem, mas não conseguimos mensurar o prejuízo em relação ao episódio. Perdemos pacientes de convênios que, pelo trauma da imagem, acabaram evitando de vir para cá. Também perdemos clientes do próprio plano de saúde do hospital", enumera.
Outro problema, aponta Ribas, é que o Evangélico perdeu faturamento por conta da solicitação de prontuários por parte do Ministério Público. Mais de 2 mil foram encaminhados ao MP e boa parte deles não havia sido faturada. "Agora é que eles estão nos devolvendo estes documentos para que possam ser faturados. Entre o atendimento e o faturamento existe uma variação de tempo, por isso ainda não podemos estimar o prejuízo", declara.
"Claro que as dificuldades continuam, mas a gente tem procurado, com muito esforço, restabelecer a imagem que foi manchada neste episódio. Somos um hospital que realizou nos últimos 12 meses 1,4 milhão de atendimentos. Somente nas UTIs foram 18 mil atendimentos. Continuamos sendo referência no atendimento a queimados e atuamos com cerca de 3 mil profissionais", ressalta. (R.C.J.)

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