Europeus também se sentem responsáveis pelo ataque à embaixada Do correspondente REALI JÚNIOR
Paris, 10 (AE) - Os EUA isoladamente são responsáveis por mais de 70% das informações que têm permitido à Otan definir seus objetivos militares no território da Iugoslávia e na província de Kosovo. Isso porque a aliança atlântica não dispõe de serviços especiais para recolher e analisar informações. Dessa forma, ela depende em grande parte dos serviços americanos e dos outros três países mais engajados no conflito, mas nem sempre dispostos a colocar à sua disposição todas as informações recolhidas.
A França, por exemplo, contribui com seu satélite-espião Helios 1 , além de seus aviões Mirage IVP, Gabriel e Crecérelle, enquanto a Alemanha, a Itália e a Grã-Bretanha também contribuem com seus meios específicos. Esses quatro países constituem um verdadeiro diretório na escolha dos alvos e nenhum deles pode se desculpar do big mistake (grande erro ), cometido na semana passada ao confundir a Embaixada da China em Belgrado com a Direção Iugoslava do Armamento, mesmo se o bombardeio tenha partido de um B-2 americano.
Por isso, hoje, uma fonte diplomática francesa ligada a Otan evitou apontar os EUA como o principal culpado pelo erro cometido, limitando-se a afirmar: "Somos todos responsáveis."
Depois de definidos, os alvos são submetidos ao Conselho Atlântico e ao Comitê Militar, no qual os 19 países membros designam seus delegados para a aprovação final. Cada um dos quatro países que participam dos raids utiliza seus próprios meios, sendo inteiramente responsável pelos meios empregados na missão que lhe foi atribuída. Cabe aos técnicos da Otan a análise final da destruição parcial ou total dos alvos.
No episódio da Embaixada da China em Belgrado, mesmo se o porta- voz da Otan, James Shea, tenha sido discreto, evitando indicar o autor do bombardeio, o fato de o secretário da Defesa americano e o diretor da CIA terem admitido e lamentado o erro cometido como uma provável "falha na designação do alvo inicial", revela a responsabilidade americana pelo ataque ou pelo menos pela designação do objetivo.
Se a CIA, dirigida por George Tenet, prevalece sobre toda a comunidade de informação americana, diversos outros serviços do Pentágono e do Ministério da Justiça estão também envolvidos, recolhendo e analisando informações "sensíveis", entre eles, a National Imagery and Mapping Agency (Nima).
Reunindo quase 10 mil colaboradores, a Nima é um dos principais organismos responsáveis pelo levantamento de objetivos a partir de mapas elaborados com dados obtidos por satélites, que muitas vezes são confrontados com mapas normais e até com cartões postais. A Nima participa praticamente de todos os programas topográficos do Pentágono.
Muito provavelmente, o erro cometido com o bombardeio da representação chinesa tenha sua origem na Nima, pois foi ela quem concebeu as técnicas de numeração dos territórios e de relevo que permitem transformar as imagens do satélites em imagens em três dimensões. Essas imagens são carregadas em dispositivos eletrônicos dos aviões ou dos mísseis e devem acompanhar o terreno de perto na busca do alvo designado.
Para alguns técnicos europeus, os mapas de Belgrado sobre os quais os técnicos americanos trabalharam para localizar a Direção Nacional do Armamento iugoslavo não indicavam a presença da embaixada chinesa, que se mudou para esse local há quatro anos.





