Europeus interessados na indústria de vinho
Montevidéu, 03 (AE-IPS) - Convertida nos últimos anos em uma das principais atividades da economia do Uruguai, a indústria vinícola começa a receber investimentos de grupos europeus do setor. O mais recente acordo de cooperação foi o assinado pela Cerros de San Juan, que controla 15% do mercado local e a filial argentina da francesa Met et Chandon.
Os acordos anteriores, fechados também este ano com produtores uruguaios, foram os de Juan Carrau com a espanhola Freixenet para produção de vinhos finos para exportação e da empresa Castillo Viejo com a francesa Jean Lessourges. Nos dois casos os investimentos chegam a US$ 3 milhões. No ano passado a Estabelecimento Joanicó fechou acordo de cooperação industrial com a francesa Chateau Pape Clément para produção de vinhos de alta qualidade.
A Cerros tem 75 hectares de vinhedos em Colonia e produz 720 mil garrafas de variedades finas. Brasil, Alemanha, Suíça, Grã-Bretanha, áustria e Estados Unidos estão entre os principais mercados. Ramiro Otaño, diretor comercial da Chandon argentina diz que o acordo com a empresa uruguaia visa a expansão da Chandon no Mercosul.
Nos próximos quatro anos, a Chandon Argentina deve desembolsar US$ 30 milhões na ampliação da capacidade de produção, compra de terras e incorporação de tecnologia em toda a região. Mesmo centenária, a indústria vinícola uruguaia ganhou fama internacional nos anos 90 depois de maciços investimentos em tecnologia por parte dos produtores.
No primeiro semestre deste ano o país exportou 1,2 milhão de litros de vinhos. O crescimento do setor, em comparação a 97, foi de 141%. Hoje o país exporta menos que 2% de sua produção, o que pula para 20% quando se trata de vinhos finos. Cerca de 50 mil pessoas vivem desta indústria.
A produção da indústria manufatureira caiu 15,9% no terceiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. O índice de horas trabalhadas no setor recuou 13,1% e o de emprego 11,3%. A informação é do Instituto Nacional de Estatística. Até agora, a produção anual recuou 8,2%.
O setor mais castigado foi o de produtos metálicos e máquinas
que no terceiro trimestre se reduziu em 19,7% e em nove meses teve queda de 30,2% em comparação a 98. O segundo lugar ficou com a indústria química, com recuo de 8,2% no trimestre e acumulado no ano de 27,4%.
Os outros setores castigados são indústria têxtil e vestuário
cuja produção caiu 23,3% no terceiro trimestre e 14,2% nos últimos nove meses. O setor de alimentos, bebidas e cigarro teve retrocesso de 1,5 e 3,5%, respectivamente. Especialistas garantem que os números são resultado da crise financeira do Brasil, principal sócio comercial do Uruguai no Mercosul.





