Porto Alegre, 30 (AE) - Os consumidores europeus estão "muito desconfiados" em relação aos alimentos agroindustriais, entre eles a soja transgênica. A advertência foi feita hoje por um dos diretores da maior cooperativa polivalente de produtos animais e vegetais da França, a C.A.N.A., Christophe Callu Merite.
Diretor de compras do setor de matéria-prima para ração animal da cooperativa, Merite foi um dos palestrantes do 10º Fórum Nacional da Soja, promovido pela Federação da Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro) em Porto Alegre. Seu tema foi "Perspectivas de mercado para a soja transgênica - resistências na União Européia".
Merite lembrou que, na cabeça dos consumidores, está bastante presente o episódio da "vaca louca" ocorrido na Inglaterra. "As pessoas querem ter segurança sobre o que estão consumindo", notou. Para ele, do ponto de vista de quem adquire o produto, a questão é ter absoluta confiança sobre a qualidade e a integridade do produto que deseja comprar. "Quer saber que perigo existe em comer. É a grande pergunta", enfatizou.
"A comida que comemos não é mais tão natural como a de nossos avós", disse Merite, para acrescentar que o problema tem um forte componente psicológico. "A questão é de segurança alimentar. O consumidor teme que aquilo que coloca no prato possa lhe causar doenças."
Ele citou França, Inglaterra, Alemanha e áustria como os países em que existem mais receios em relação à soja transgênica e a outros alimentos modificados geneticamente, caso do milho.
A C.A.N.A. (Cooperativa Agrícola De La Noelle de Ancenis) fatura US$ 2 bilhões por ano. É grande importadora de farelo de soja do Brasil (120 mil toneladas por ano), utilizado como componente de ração animal. A França compra 4 milhões de toneladas do mesmo produto anualmente.
Uma cooperativa gaúcha, a Cotrimaio, já acertou o embarque, no segundo semestre, de 5 mil toneladas de soja não transgênica para importadores franceses. "Queremos mostrar que podemos produzir um produto confiável e credenciar nossa cooperativa para futuras exportações", adiantou o presidente da Cotrimaio, Antonio Wunstche.
Em maio, ele e o secretário de Agricultura do RS, José Hermetto Hoffmann, devem visitar França e Inglaterra, visando abrir mercados para produtos certificados não transgênicos do Rio Grande do Sul. "Por enquanto, o preço desta soja atinge 4% acima da comum, mas poderá subir", acredita.
Wunstche recordou que a pressão do consumidor já levou a rede de supermercados Carrefour a anunciar o banimento de transgênicos de suas prateleiras.

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