Europeus divergem sobre megafusão
Londres, 23 (AE-AP) - A fusão das empresas de telefonia da Itália e da Alemanha esbarra agora na resistência das autoridades de Roma, que não estão satisfeitas com a idéia de ficar com uma participação minoritária na nova operadora, enquanto o governo alemão deterá 40% do total de 56% das ações da Deutsche Italia Telecom, caso o negócio seja concretizado.
A transação também desagradou à direção da estatal francesa de telefonia, France Telecom, a mais antiga parceira da Deutsche Telekom, que hoje (23) prometeu contestar judicialmente a sócia alemã para assegurar os direitos de seus acionistas.
As operadoras de telefonia da França e da Alemanha têm participações recíprocas de 2% e, com a norte-americana Sprint Corp., criaram a joint venture Global One. Os italianos, que avançaram mais que os alemães na privatização, também não compreendem como o governo alemão ainda mantém uma participação de 72% na estatal de telefonia, enquanto a Itália conservou apenas 3,4% das ações da operadora italiana.
O executivo-chefe da Italia Telecom, Franco Bernabe, que com o alemão Ron Sommer deverá estabelecer as prioridades de investimento e os cortes de gastos, tentou diminuir as diferenças culturais e de estrutura gerencial entre as duas empresas. Mas os especialistas desse mercado observam que, dadas as disparidades entre as duas culturas, seria mais simples que a nova empresa tivesse um só comandante.
Um dos sinais das dúvidas dos investidores a respeito do futuro da gigante da telefonia européia e até da concretização da fusão foi a queda verificada hoje no preço das ações da Deutsche Telekom, que perderam 10 centavos de euro, encerrando o pregão de Frankfurt a 35.40 euros, US$ 37,52. Já a cotação dos papéis da operadora italiana aumentou em 16 centavos de euro na Bolsa de Milão, fechando a 10 euros, US$ 10,60.





