Europeus chegam a acordo sobre Mercosul
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 21 (AE) - O risco de a reunião de cúpula América Latina e Caribe/União Européia, marcada para os dias 28 e 29 no Rio de Janeiro, transformar-se apenas em um encontro político e social ficou afastado hoje (21) depois que os países europeus decidiram iniciar as negociações de uma zona de livre comércio com o Mercosul e com o Chile a partir de 1º de julho de 2001.
Os ministros de Relações Exteriores da União Européia, reunidos em Luxemburgo, aceitaram a proposta espanhola para que essas negociações (redução tarifária e eliminação de barreiras na área de serviços) possam começar no segundo semestre de 2001. A nova fórmula ficou entre a proposta alemã (iniciar as negociações no próximo ano) e da França, Inglaterra e Irlanda (começar só em 2003). O impasse no qual os 15 países haviam mergulhado desde a apresentação da proposta, em julho de 1989, se intensificou no último ano por pressão dos maiores produtores agrícolas europeus, entre eles a França.
Logo de manhã, o ministro francês, Hubert Vedrine, chegou a pedir "um tempo" para consultar o seu governo sobre a proposta espanhola. Feita a consulta, a França pediu que a Comissão Européia faça um informe periódico sobre o impacto econômico na União Européia na medida em que as negociações avancem com o Mercosul e com o Chile, principalmente no tema agrícola.
"As negociações serão conduzidas e concluídas levando em conta os resultados da nova rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) e do calendário previsto para a área de Livre Comércio das Américas (Alca)", diz o texto do Acordo de Luxemburgo. Embora a posição do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além do Chile, seja o do sistema "single undertaking" (tudo se negocia e tudo terá de ser aprovado para entrar em vigor), a França quer ainda negociar a questão agrícola excluindo os produtos mais sensíveis, entre eles açúcar, cereais e carne.
"A UE aceitou liberalizar, de forma gradativa e recíproca, todo o comércio de bens e serviços com a intenção de chegar a uma zona de livre comércio, levando em conta a sensibilidade de determinados setores de produtos e serviços e de acordo às normas da OMC", acrescenta o texto.
Para o vice-presidente da Comissão Européia, o espanhol Manuel Marín, o que existia até hoje (segunda-feira) era um problema de "ordem psicológica mais do que de conteúdo" de alguns países para dar o sinal verde ao mandato negociador. Com o Acordo de Luxemburgo, os chefes de Estado e de governo europeus chegarão agora ao Rio de Janeiro pelo menos com alguma proposta e não mais de mãos vazias.
Acertada a data do início das negociações, os ministros europeus terão menos trabalho para definir a pauta e diretrizes das negoiações que pretendem iniciar com o Mercosul. Vir ao Rio sem proposta alguma teria sido constragedor para os 15 países mebros da UE, segundo analistas.


