Rio, 23 9AE) - Os países da União Européia mantêm sobretaxa entre 50% e 248% em 280 linhas de produtos importados, o que afeta diretamente a produção agrícola dos países do Mercosul, informou hoje o ministro do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio, Celso Lafer.
Ao participar do encerramento da primeira reunião do Fórum Mecorsul-União Européia, o ministro apoiou a proposta dos empresários de criação de uma zona de livre-comércio entre os dois blocos. Recomendou, no entando, que o entendimento seja moldado pelas normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Lafer considerou insatisfatória a queda de 25% para 20%, de 1995 a 98, da tarifa média para entrada de produtos agrícolas na Europa, onde considera que ainda há uma alta taxa de proteção
e lamentou que a União Européia resista a uma negociação acelerada nesta área. Ele listou entre os produtos sobretaxados em picos de tarifa, a carne bovina, com 141%; a suína, 54%; frango, 74%; trigo, 107%; milho, 96%, e açúcar, 248%.
Apesar de as exportações do Brasil para a UE representarem 29% das vendas internacionais do País, enquanto o comércio de produtos brasileiros para os Estados Unidos signica 19% do total, o ministro negou que possíveis as dificuldades entre o Mercosul e a UE levem a um desvio de rota do bloco sulamericano para uma aceleração de entendimentos com o grupo liderado pelos Estados Unidos.
Para ele, o importante, tanto para a região quanto para o País, é manter a diversidade de parceiros internacionais. "Não temos, como outros países, como por exemplo o México, uma concentração de mercado nos EUA", afirmou. "A nós interessa num plano multilateral mais amplo e a possibilidade das negociações da Organização Mundial do Comércio, porque temos interesse em uma ação multilateral e vamos negociar simultaneamente."
O Brasil fez consulta à OMC sobre a política de tarifas européia, classificada por Lafer como "pouco transparente". O ministro citou casos como o do açúcar, têxteis e tabaco, e chegou a criticar a morosidade na solução do problema. "A incorporação de têxteis no esquema mais amplo da OMC está indo de forma muito lenta e interesses de países em desenvolvimento, como os do Mercosul, foram deixados para a última fase de liberalização", reclamou.
"Buscamos um espaço de liberdade que nos garanta acesso a mercados e uma presença minimamente soberana no mundo", disse o ministro, que foi taxativo quanto à importância do aumento da participação sulamericana no comércio mundial. "Se quisermos ter um seguro em relação a flutuações financeiras, precisamos garantir reservas que nos venham das exportações."
Mercosul - Lafer repetiu para uma platéia de cerca de cem empresários, basicamente dos quatro países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), que seu ministério fará um monitoramento dos efeitos da mudança do regime cambial sobre as exportações brasileiras na região.
"Estamos também discutindo outros dados do relacionamento do Brasil e seus parceiros do Mercosul, um deles diz respeito a Proex", disse o ministro, garantindo que o governo limitará os financiamentos do Proex no Mercosul às exportações de bens de capital.

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