Europa rejeita medidas adotadas pelo Brasil para comércio de pneus
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sexta-feira, 20 de março de 2009
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - A Europa rejeita as medidas tomadas pelo Brasil para dar uma solução à disputa envolvendo o comércio de pneus usados. Ontem, o País foi obrigado a dizer o que estava fazendo para cumprir a condenação da Organização Mundial do Comércio (OMC) que exigiu correções nas práticas brasileiras em relação à importação de pneus recauchutados.
Nesta semana, a reportagem da Agência Estado revelou que o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá concluir que as normas brasileiras que proíbem a importação de pneus usados e reformados da Europa são constitucionais. A Europa teria o direito de retaliar o Brasil se considerar que o País não está cumprindo o laudo da OMC. Segundo Bruxelas, uma avaliação ainda está sendo feita e a União Europeia (UE) irá esperar uma conclusão do STF.
A Comissão Europeia não está nem convencida nem satisfeita com as ações do Brasil, afirmou um diplomata de Bruxelas ontem, durante a reunião do Órgão de Solução de Disputas da OMC. Pedimos que as medidas arbitrárias e discriminatórias sejam retiradas, disse. Ele lembrou que o Brasil tinha até 17 de dezembro para atender à determinação da OMC.
Em 2008, a OMC decretou que a forma pela qual o Brasil impedia a entrada de pneus recauchutados era uma violação às regras internacionais. O uso de motivos ambientais para impedir a importação não seria o problema, mas sim, a forma pela qual o Brasil estava aplicando a restrição.
O Itamaraty alegava que as barreiras eram formas de garantir que lixo não fosse exportado para o Brasil, com repercussões para saúde e meio ambiente. Mas os exportadores alegam que a medida era apenas mais uma iniciativa protecionista. A OMC concluiu que o País estava fechando suas portas aos produtos europeus, enquanto permitia a importação dos demais países do Mercosul.
Tal prática foi classificada como discriminatória pelo organismo internacional. Além disso, a OMC pediu que as liminares dadas pela Justiça para os importadores sejam interrompidas, já que criam incertezas no mercado.
Ontem, a Europa atacou a alegação do Brasil de que estaria exportando lixo. Deploramos esse argumento, afirmou a diplomacia europeia. Bruxelas afirma que importa pneus recauchutados, inclusive do Brasil. Os europeus ainda alegam que existem melhores formas de lidar com mosquitos da dengue que impedir a entrada de pneus no País.
Com a decisão da OMC, o Brasil tinha duas opções: ou fechava completamente seu mercado a todos os parceiros comerciais ou abria a todos, evitando discriminações. Ontem, os europeus insistiram que o Brasil precisaria abrir totalmente seu mercado, algo que os ecologistas e o Ministério do Meio Ambiente são contra. A forma mais rápida de acabar com a discriminação é levantar todas as barreiras, afirmou a UE.
O Itamaraty informou ontem que adotará medidas que simplesmente fecharão todo o mercado, com um acordo regional para regulamentar a situação do Mercosul. Queremos saber o que significa esse acordo regional, afirmou a UE. Vale lembrar que a decisão da OMC deixou claro que medidas discriminatórias não serão autori-zadas, disse.


