Europa quer comprar soja transgênica do RS
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terça-feira, 22 de junho de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 23 (AE) - Os europeus estão dispostos a adquirir soja não-transgênica exclusivamente do Rio Grande do Sul caso o Estado mantenha-se livre de plantas geneticamente modificadas. As compras, entretanto, estarão condicionadas às garantias que os produtores e o governo gaúcho poderão oferecer quanto à qualidade e não-contaminação da soja por grãos transgênicos. A informação foi dada hoje pelo gerente de desenvolvimento estratégico do grupo britânico Tesco, Martin Cooke, que se reuniu com o secretário da Agricultura do Estado, José Hermeto Hoffmann, e representantes da Federação das Cooperativas Agropecuárias do RS (Fecoagro).
Cooke afirmou, porém, que os preços pagos pelos produtos não-transgênicos não poderão ser diferenciados para não afetar a competitividade da cadeia de produção de alimentos humanos e ração animal no continente. O encontro foi interrompido por um princípio de incêndio no edifício onde fica a sede da Fecoagro, no centro de Porto Alegre. Logo após deixarem o prédio, Hoffmann e o grupo inglês foram até o Hotel Plaza São Rafael, onde falaram com os jornalistas.
De acordo com Cooke, o Reino Unido compra no exterior 2 milhões de toneladas de soja por ano para produção de ração animal, sendo 50% no Brasil e o restante na América do Norte. O volume importado do Brasil poderá aumentar caso mantenha a proibição do plantio de soja transgênica. Do contrário, a tendência é o país procurar outros fornecedores mundiais, como Canadá, áfrica do Sul ou Índia.
Tesco - Maior grupo varejista da Europa, com faturamento anual de US$ 30 bilhões, 25% do mercado do Reino Unido e 10 milhões de clientes por semana em suas 650 lojas em 10 países, o grupo Tesco não compra soja diretamente. No entanto, como decidiu há cerca de dois meses optar por produtos derivados de não-transgênicos, está disposto a influenciar seus fornecedores, que corresponderiam a 70% dos produtores britânicos, a trabalhar somente com este tipo de produto.
"Não viemos para fechar negócios imediatamente, mas para identificar potenciais fornecedores novos no Brasil", disse Cooke. Ele está interessado em conhecer os aspectos de "rastreabilidade" da produção brasileira de soja, desde a produção até o transporte e o embarque no sistema portuário. "A decisão de conquistar o grande mercado europeu é uma responsabilidade dos próprios produtores", comentou o executivo.
Hoffmann - O secretário da Agricultura do RS, José Hermeto Hoffmann, lamentou a falta de sinalização dos europeus quanto à possibilidade de pagar preços diferenciados pela soja não-transgênica, mas considerou o encontro "positivo" porque confirma que o Rio Grande do Sul tem "um grande mercado pela frente".
De acordo com ele, uma eventual derrubada da liminar da Justiça federal que impede a comercialização da soja transgênica da Monsanto poderia até beneficiar o Estado caso a lei local contra os alimentos geneticamente modificados seja aprovada. "Se somente um Estado fornecer soja não-transgênica é inevitável que o preço aumente, comentou. Segundo ele, o governo gaúcho está negociando parcerias com os ministérios do Meio Ambiente da França e da Inglaterra para a implantação de quatro laboratórios para controle de qualidade dos produtos não modificados no RS. A tecnologia seria transferida pelo laboratório norte-americano Genetic Id, que analisa os produtos exportados pelos Estados Unidos aos europeus.


