Europa quer aperfeiçoar seus "zangões" Do correspondente GILLES LAPOUGE
Paris, 24 (AE) - Um relatório parlamentar francês sobre a guerra de Kosovo destaca uma reflexão que todos fizeram: a Europa, cruelmente privada de meios de informação, é um "anão" militar, que só se torna operacional com a condição de recorrer aos formidáveis dispositivos espaciais de observação dos norte-americanos. Foi o que aconteceu na ex-Iugoslávia.
Já se multiplicam os planos para corrigir o atraso dos grandes países militares da Europa. O âmbito destas pesquisas é muito grande , muito vasto para poder ser analisado em todos os seus aspetos.
Por hoje, contentemo-nos em analisar um dos raros campos em que os europeus não ficaram muito atrás dos norte-americanos: o "zangão".
O "zangão" é muito parecido com um luxuoso brinquedo de criança, quase um "sonho de criança": é um avião sem piloto, geralmente minúsculo, às vezes gigantesco, que penetra no território inimigo, coleta informações e as transmite ao solo. Usos: guiar os disparos de artilharia ou de mísseis; fotografar o inimigo para eventuais processos perante a Corte Internacional de Haia; etc.
Alguns "zangões" foram vistos em ação em Kosovo. É um serviço que fez Milosevic capitular, pois, até então, o "zangão" era desconhecido do público, muito embora estivesse em ação há muitos anos: durante a guerra do Vietnã, ou durante a guerra do Yom Kippur, no Oriente Médio, estes "zangões" eram rudimentares. Depois, os progressos foram rápidos.
Situação em 1999: os Estados Unidos continuam à frente, mas os israelenses, alemães, franceses e ingleses avançam bastante.
Os "zangões" estão sendo recheados de eletrônica. Pequenas centrais volantes, dotadas de radares e raios infra-vermelhos, são capazes de distinguir um carro de bois ou barracas de soldados de um verdadeiro carro blindado.
Suas dimensões vão mudar. Em Israel, o minúsculo é mais apreciado: vai ser lançado um aparelho lilliputiano, adaptado às cidades e apto a enxergar os terroristas até mesmo em seus esconderijos.
Os europeus e os norte-americanos refletem sobre outros temas.
Projetam um "zangão" gigante - o Global Hawk (falcão global) - que voará a grande altitude e se inserirá num dispositivo complicado, pois trabalhará de acordo com um zangão médio, o Predator, que voará a uma altitude normal e igualmente com "zangões" menores que cruzarão os ares a baixa altitude. A França está aperfeiçoando aparelhos do mesmo tipo.
O que explica a predileção dos europeus por estes aviões sem piloto é o fato de eles alcançarem a mesma precisão que os mais modernos satélites de observação, mas por um preço bem menor. De tal sorte que o zangão deveria permitir à Europa compensar o atraso enorme que sofre em relação aos Estados Unidos em matéria de observação por satélites.
Os engenheiros chegam a pensar que as novas gerações de zangões deverão dar informações mais precisas do que os satélites.
Enfim, os engenheiros têm outros sonhos. Por exemplo, este, nascido em Israel: a fabricação de um zangão que destruiria as antenas de transmissão dos radares inimigos.
Se a isso se acrescentar que - além de seu preço modesto e de sua competência insuperável - o zangão tem a outra vantagem de não expor seus usuários à morte por não ter piloto, se julgará muito lógico que a Europa, quer de maneira dispersa, quer dentro de um esquema comunitário, se lance com entusiasmo sobre este pequeno avião espião.





