Paris, 11 (AE) - A Europa, que manteve uma "frente unida" na guerra de Kosovo, sai do conflito reforçada: "Talvez" - escreve com lirismo o diretor de Le Monde - "se dirá amanhã que a Europa nasceu em 1999, faltando apenas alguns meses para o final do milênio!". E as eleições dos deputados europeus, neste fim de semana, constituiriam, segundo o mesmo jornal, outro sinal do surgimento da Europa (apesar de uma taxa de abstenção prevista às vezes como catastrófica).
Prescindindo destas frases que parecem às vezes vagas e ocas, a ocasião é propícia para analisar o futuro da Europa. De imediato, duas séries de problemas deverão ser enfrentadas por Bruxelas (Comissão Européia) e por Estrasburgo (Parlamento Europeu): a criação de uma diplomacia unificada e de uma defesa européia confiável e não ridícula como atualmente. E, igualmente, a ampliação da União Européia.
Esta ampliação é uma constante na construção européia: na década de 1950, a Europa (CEE) contava com seis membros (Alemanha, França, Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda). Em 1973, foram admitidos três novos países: Dinamarca, Irlanda e Reino Unido. Em 1981, a Grécia integra a união e se fala da "Europa dos Dez" Em 1986, surge a "Europa dos Doze", graças à chegada de Portugal e da Espanha. Dez anos mais tarde, em 1986, a áustria, Finlândia e Suécia se juntam ao comboio. Nasce a Europa dos Quinze - a Europa atual.
O fim do império soviético cria uma corrente de ar que sopra em direção ao Leste. Todos os antigos satélites de Moscou, agora livres, aspiram a uma união com a rica Europa. Mas os exames de admissão são severos. A União Européia não pode tolerar disparidades econômicas muito fortes. Por isso, é preciso bater à porta durante muito tempo.
Atualmente, seis países estão à espera: Chipre, Estônia, Hungria, Polônia, República Checa e Eslovênia. Acredita-se que serão admitidos por volta do ano 2006.
Diante deste movimento de adesão, os grandes países fundadores da UE mantêm posições divergentes: A Alemanha pensa que a UE pode absorver sem problemas outros países, consolidando ao mesmo tempo suas próprias estruturas.
A França foi reticente durante muito tempo: temia que uma Europa muito numerosa, muito vasta, acabasse se diluindo e se dispersando. (Mas, o presidente atual, Jacques Chirac, que é um homem muito entusiasta,. mudou essa mentalidade: logo que entra em contato com um dirigente de um Estado do Leste, Chirac promete patrocinar a entrada de seu país na UE).
A Inglaterra sempre foi favorável à entrada de novos países na Europa. Margaret Thatcher foi quem fixou a doutrina sobre este ponto: efetivamente, como os ingleses não gostam da Europa, acham que a UE se transformará numa vasta zona de livre comércio, se muitos países a integrarem. No fim das contas, se trataria de destruir a Europa, empurrando suas fronteiras sempre para mais longe, se possível , até o infinito...
Alguns números permitirão compreender o perigo que representaria uma abertura rápida demais das portas do clube europeu. Este números mostram uma enorme disparidade das economias em questão.
O PIB (per capita) eleva-se a 33.000 ecus para um luxemburguês (campeão em todas as categorias). Depois, há um grupo de oito países cujo PIB é superior a 20.000 ecus (Dinamarca, Suécia, Alemanha, áustria, Bélgica, França, Holanda, Finlândia). O Reino Unido tem um PIB de 19.234 ecus, e, entre os "quinze" membros atuais da UE, o menos rico é Portugal, com um PIB de 8.918 ecus.
Ora, Portugal parece um "nababo", quando comparado aos países do Leste, que postulam sua integração à União Européia em 2006. A Hungria tem um PIB de 2.820 ecus - ou seja, aproximadamente 12 vezes menor que o PIB de um habitante de Luxemburhgo. É pois comprensível que a União Européia "se apresse lentamente" em abrir suas fronteiras aos candidatos dos países do Leste.

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