Eurodeputados enfrentam ventos moralistas Do correspondente REALI JÚNIOR
Paris, 22 (AE) Às vésperas do início da campanha para a eleição dos deputados para o Parlamento de Estrasburgo um forte vento moralista sopra nos 15 países da União Européia. No começo, foram os próprios deputados europeus que pressionaram a Comissão Européia a apresentar sua demissão diante das denúncias de nepotismo e favoritismo de alguns dos comissários. Agora, são os 624 eurodeputados os visados pelo Tribunal de Contas Europeu, no momento em que a própria Assembléia está elaborando um projeto de estatuto para moralizar a ação parlamentar.
Eurodeputados, funcionários e assistentes parlamentares da Assembléia Européia encontram-se no mesmo barco. As vantagens dos parlamentares e as atividades de lobistas estão sendo investigadas de perto. Um eurodeputado custa US$ 250 mil por ano ao Parlamento e a vice-presidente da Assembléia de Estrasburgo, Nicole Fontaine, reconhece a existência de deputados sem escrúpulos que contribuem para o atual clima.
Como se sabe, a atividade do Parlamento de Estrasburgo é nômade, navegando entre essa cidade da Alsácia e Bruxelas, capital belga. Além dos 624 eurodeputados outros 3,5 mil eurocratas vão ocupar o Palácio do Parlamento em Estrasburgo.
Alguns progressos foram feitos, mas os abusos são ainda importantes. Um novo código de conduta está sendo aprovado para regulamentar a relação parlamentar com os lobistas que tomaram conta de Estrasburgo e de Bruxelas. Esse código vai regulamentar o emprego, as despesas e as vantagens nem sempre transparentes dos funcionários dessa assembléia européia.
Muitas vezes, os funcionários são recrutados junto às famílias de eurodeputados sem nenhum critério ou concurso. A simples contratação de um funcionário desbloqueia um crédito de 62 mil francos, atribuído como indenização de secretariado.
Com a demissão coletiva forçada da Comissão Européia, as línguas começam a soltar-se. O presidente do Parlamento, o espanhol José Maria Gil Robles, tentou arrumar um posto de diretor-geral para seu antigo chefe de gabinete, Enrique Lopez Veiga. Na impossibilidade todos os cargos estavam preenchidos não teve dúvida e criou um novo cargo para seu fiel colaborador. Instado a explicar, não titubeou: "Ele era o melhor candidato para o novo cargo."
Para o deputado escocês, Winifred Ewing, é um absurdo o fato de que os eurodeputados sejam privados da metade de suas indenizações se não estiverem presentes às reuniões e à metade das votações: "Isso constitui uma agressão ao livre exercício de meu mandato."
Um outro deputado, por não viajar de avião, cobrava o trajeto Roma-Estrasburgo feito de táxi, pagamento sem nota e por quilômetro. Como se vê, não há razão para que nossos parlamentares tenham vergonha dos europeus.





