Nova York, 26 (AE-AP) - Uma combinação de notícias ruins dos dois lados do Atlântico provocou uma alta dos juros nos Estados Unidos e derrubou as cotações da moeda única européia, o euro, para a menor cotação desde seu lançamento no dia 1º de janeiro.
No lado europeu, o que preocupou os investidores foram as notícias de que a União Européia tornou mais flexíveis as regras de austeridade fiscal, o que abalou a confiança dos investidores na moeda. No fim da noite da terça-feira a Comissão Européia decidiu permitir que a Itália não cumpra a meta de manter o déficit no orçamento em 2,0% do Produto Interno Bruto (PIB), permitindo que esse déficit seja de 2,4% do PIB italiano este ano.
Segundo economistas, essa decisão poderia levar todos os 11 países da União Européia a relaxar sua disciplina fiscal. A uniformização dos orçamentos e a adoção de uma disciplina fiscal comum foi o que permitiu à União Européia funcionar. "Sem um forte compromisso com as metas fiscais, a tensão pode crescer dentro da Comunidade", disse um economista em Londres.
O efeito da decisão da terça-feira sobre os mercados hoje foi devastador. O euro chegou a ser negociado a 1,0463 euros por dólar, uma queda de 1,52% em relação à véspera, sua maior baixa em um único dia. Desde sua introdução, na virada do ano, o euro já acumula uma queda de 10,86%. No fim da tarde em Nova York o euro era negociado a 1,0474 euros por dólar.
A queda do euro fortaleceu o iene em relação à moeda norte-americana. No fim do dia em Nova York o dólar era negociado a 121,88 ienes ante os 122,25 da véspera.
O desempenho ruim do euro vem sendo provocado pelas perspectivas negativas para a economia européia como um todo. Os principais países da Zona do Euro têm mostrado baixos índices de crescimento e desemprego elevado nos últimos anos, ao passo que os Estados Unidos têm registrado um crescimento econômico constante nos últimos nove anos e os menores níveis de desemprego dos últimos 29 anos.
Segundo analistas, o fato de os Estados Unidos estarem crescendo a uma taxa mais acelerada que o resto do mundo deverá fazer com que o euro e o dólar sejam negociados ao par nos próximos meses.

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