Euro quase chega a US$ 1, mas recupera-se
Nova York, 14 (AE-DOW JONES) - A oscilação do euro no mercado cambial hoje foi responsável por sentimentos que passaram do pânico à euforia, em questão de poucas horas. No período mais crítico, a moeda única européia chegou a ser negociada a US$ 1 0110, queda significativa em relação à cotação do dia anterior, de US$ 1,0183. No fim do dia, o euro encerrou os negócios, ainda em alta, a US$ 1,021.
O deslize foi provocado pelos comentários do consultor econômico do governo alemão, Horst Siebert, em uma entrevista para a televisão, de que o euro ainda teria espaço para cair até US$ 0,90. O efeito foi imediato e a moeda despencou, quase passando da marca de US$ 1.
Logo depois, o economista reformulou sua previsão, dizendo que o euro poderia valorizar-se muito, conforme o ritmo das economia européias aumentasse e a dos Estados Unidos se enfraquecesse um pouco. Ele disse também que o valor citado antes não era uma previsão séria. Intervenções do Banco Central Europeu (BCE) e do Bundesbank, banco central da Alemanha, ajudaram a recuperar o euro.
Analistas afirmaram haver alguns sinais de que o BCE interveio no mercado de câmbio. "Só não se pode garantir se foram simples movimentos comerciais ou intervenção proposital para defender a moeda", disse um deles.
O apoio do chanceler alemão Gerhard Schroeder foi fundamental para inverter a tendência de queda da moeda. Segundo ele, apesar de o euro ser ainda frágil, existe uma estrutura produtiva com grande potencial por trás da moeda. Depois dessa declaração, o euro bateu US$ 1,023, a cotação mais alta do dia.
A crise econômica da América Latina, liderada pela Argentina, também colaborou na recuperação da moeda européia. Temores de que o peso seja desvalorizado e dúvidas em torno da paridade com o dólar foram alguns dos motivos que estimularam as compras de euro no fim do dia.
ásia - O mercado de divisas asiático também foi abalado hoje. O saldo do dia foi a suspeita, não confirmada, de que a China pode desvalorizar sua moeda, o yuan. O que despertou a preocupação foram os comentários do presidente do banco central chinês, Dai Xianglong, de que a cotação da moeda deveria ser determinada mais pelas forças do mercado do que por políticas administrativas.
A desvalorização do yuan poderia ter efeito dominó sobre as demais moedas e mercados de ações da região. O aumento das tensões políticas entre Taiwan e China e o susto com a possibilidade de taxas de juro mais altas não ajudaram em nada.





