paris, 02 (AE) - A exemplo do real, o euro, a moeda única européia, está sendo fortemente depreciada ante o dólar. Perdeu mais de 9% desde seu lançamento, em janeiro, contrariando a expectativa dos analistas internacionais, que haviam previsto a sua transformação na locomotiva da economia mundial este ano. Por enquanto, o dólar, impulsionado pelos bons resultados da economia americana, continua ganhando força e começa a preocupar as autoridades do Banco Central Europeu (BCE), segundo seu vice- presidente, o francês Christian Noyer.
O euro, lançado com o valor de US$ 1,16, chegou a valer mais de US$ 1,19 nos dias subsequentes ao lançamento, mas hoje caiu para US$ 1,08 em Paris. Foi a mais baixa cotação desde que entrou em vigor. A queda de hoje foi de 0,9%, mas os economistas europeus admitem que existe mais potencial de alta para a moeda americana.
A valorização decorre, em grande parte, da diferença de conjuntura econômica entre os Estados Unidos e os países da zona do euro. A França tem apresentado resultados positivos - 3,2% de crescimento em 1998 -, mas a Alemanha e a Itália têm decepcionado e as perspectivas para 1999 não são das mais animadoras. A Alemanha, com um crescimento econômico de 2,6%, perdeu para a França a posição de locomotiva da Europa.
Mesmo a Grã-Bretanha de Tony Blair (fora da zona do euro) não obteve melhor resultado - cresceu 2,3 % no ano passado. Esses três países, juntos, representam 75% do Produto Interno Bruto (PIB) da União Européia.
A França vangloria-se de ter criado 400 mil empregos no país, dos quais 100 mil para jovens. A curva do desemprego está em queda constante nesses últimos meses, em razão do aumento do consumo interno. A previsão para 1999 é de crescimento econômico um pouco mais modesto, de 2,7%.
O país atravessa bem este período de turbulência financeira internacional, mas isso não é suficiente para manter o equilíbrio entre a nova moeda única européia e o dólar.
As autoridades monetárias estimaram que o ponto de equilíbrio da relação euro-dólar poderá ser encontrado nos próximos dias, na base de um euro valendo US$ 1,06, bem abaixo do valor de lançamento.
Divergências conjunturais no interior da zona do euro, particularmente entre Alemanha e França sobre a reforma da Política Agrícola Comum (PAC), têm contribuído para esse acesso de fragilidade da moeda européia. O BCE tem, neste momento, um dilema: deve adaptar a política monetária à situação da Alemanha e Itália ou à da França, Irlanda, Finlândia e Espanha? A falta de definição constitui um fator de incertezas para os investidores e um elemento suplementar de desconfiança em relação ao euro.
Hoje, em Paris, o vice-presidente do BCE, Christian Noyer, afirmou que a situação requer uma "estrita vigilância", pois a "a credibilidade do euro é fundamental e tudo será feito para preservá- la". O presidente do BCE, Wim Duisemberg, defendeu a manutenção do status quo em relação ao nível atual das taxas de juros. Por isso, acredita-se que o BCE, na sua reunião de quinta-feira, em Frankfurt, não vai alterar essas taxas. Para Wim Duisemberg, isso constituirá "um estíimulo ao crescimento econômico".

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