Paris, 01 (AE) - A moeda européia, lançada há menos de um ano, está passando por uma longa crise de fraqueza. Perde peso, está pálida e seu competidor, o dólar, está "gordo como um frade" e "vende saúde". No final de novembro, o euro ficou estagnado em seu nível mais baixo: desde 4 de janeiro, perdeu 10% de seu valor facial ante o dólar e 20% ante o iene japonês.
As esperanças iniciais provisoriamente se desvaneceram: o bloco europeu estava convencido de que o euro se tornaria uma "moeda de reserva", ao lado do dólar. Grande decepção. O euro se desvaloriza, apesar do considerável fluxo de capitais investidos em praças européias.
Enquanto em janeiro o euro valia US$ 1,17, hoje não vale mais do que US$ 1,0068. Conclusão: a Europa está sendo atraída para o dólar e os operadores do mercado esperam que, muito brevemente, haja uma paridade entre o dólar e o euro, enquanto, há um ano, o euro era muito mais forte do que o dólar.
Como sempre acontece em tais casos, o Banco Central Europeu (BCE), através de seu presidente Wim Duisenberg, nos tranquiliza
garantindo que esta fraqueza é "provisória". Duisenberg anunciou que, dentro de dois anos, o desempenho financeiro europeu será mais forte do que o dos Estados Unidos. E então, o euro é quem "comandará o baile".
Os especialistas se consolam lembrando que uma moeda fraca estimula as exportações européias e, portanto, a produção. É verdade. Mas bem sabemos que, quando a fraqueza se prolonga, este efeito feliz fica anulado pelos efeitos contrários e muito perversos: o reencarecimento das compras em dólares gera uma inflação importada. E não é tudo.
Existe o aspeto psicológico. Se o euro cair abaixo do dólar, os operadores, estranhamente sensíveis às fronteiras simbólicas, poderiam entrar em pânico e fugir da zona européia e isso acarretaria inexoravelmente uma elevação das taxas de juros e um declínio persistente nas bolsas de valores.
A opinião pública é também seriamente afetada pelas "barreiras simbólicas (neste caso, a da paridade eventual com o dólar). E então a confiança já aleatória que os povos têm em relação ao euro vacilaria um pouco mais e, em vez de passar do estatuto de moeda abstrata ao de moeda real, o euro seria mandado para a categoria de "moeda virtual".
Quais os motivos desta debilidade do euro? A mais evidente é a saúde americana. Com certeza, os europeus, principalmente a França, apresentam um desempenho digno, mas isso não é nada em relação ao aumento de poder do mercado norte-americano. Portanto
a diferença das moedas traduz ingenuamente esta diferença de ritmo produtivo.
Existe outro elemento: nos últimos tempos, muitos países europeus opuseram obstáculos a este "liberalismo" que se tornou a lei do mundo. Na França, o governo proibiu que a Coca-Cola comprasse uma empresa. Na Alemanha, o chanceler Schroeder, embora muito liberal, adotou um forte intervencionismo , obrigando os bancos alemães a fornecer marcos para salvar um grupo em dificuldade (a gigantesca empresa de construção Philipp Holzman). Ora, simplesmente o mercado tem horror a esse tipo de intervenção. Sobretudo os investidores norte-americanos.
Logo que ouvem a palavra "intervencionismo estatal", eles acreditam que a casa está pegando fogo e vão se esconder. O euro sofre com isso.
Finalmente, existe uma fragilidade mais grave porque está ligada ao próprio projeto do euro - a extrema variedade das economias que compõem o euro: cada país evolui à sua maneira, diferente da dos outros países: estas distorções entre os países europeus estão na origem dos movimentos caóticos mal dominados.
Por exemplo, enquanto a França é muito dinâmica, a Alemanha arrasta o pé e a Itália ainda mais, para não falar de países tradicionalmente mais vulneráveis. Tocamos aqui num problema central, que ultrapassa o simples campo monetário. Na realidade, estas divergências entre os diferentes países europeus traduzem verdadeiramente a ausência de unidade política do continente e a falta de harmonia entre as ações econômicas de uns e de outros.

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