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/EUA/PRIMARIAS4/Mar, 12:35 Primárias da "Superterça-feira" devem assegurar candidatura de Bush Do correspondete Paulo Sotero Berkeley, EUA, 04 (AE) - Primeiro, o governador do Texas George W. Bush, pediu desculpas aos católicos americanos pela visita que fez à Universidade Bob Jones, uma escola protestante da Carolina do Sul que vê no papa um enviado de satã. Depois foi a vez de o senador John McCain, seu rival na disputa da candidatura presidencial republicana, retratar-se perante os protestantes mais conservadores, que são um quarto do eleitorado do partido, por ter chamado de "forças do mal" dois de seus principais líderes, os televangelistas Pat Robertson e Jerry Falwell. De contrição em contrição, a campanha das primárias republicanas arrastou-se na semana passada para o desfecho que os analistas previam no início e McCain tentou desmentir um par de vezes batendo Bush em New Hampshire e em Michigan com a ajuda de eleitores independentes. Tendo sido o último a pedir desculpas e com sua campanha na defensiva depois de sofrer uma derrota tripla na Virgínia, Washington e Dakota do Norte, por diferenças expressivas, na semana passada, McCain terminou a semana perdendo altitude às vesperas da batalha decisiva que terá com Bush, na terça-feira, em 12 Estados. Uma pesquisa divulgada ontem (3) pelo Instituto Zogby situava o senador do Arizona atrás de Bush em sete de oito desses Estados, entre eles a Califórnia, Nova York e Ohio, nos quais McCain precisa vencer para levar adiante a rebelião que desencadeou no Partido Republicano. As vantagens de Bush em Nova York e Connecticut sinalizavam o provável esgotamento do fenômeno McCain, pois apenas dias antes o senador estava à frente em sondagens feitas nos dois Estados. O senador parecia também em rápido declínio na Califórnia, onde chegou a existir a possibilidade de ele ganhar de Bush na eleição popular, mas perder os 162 delegados do Estado, por causa da confusão de regras das primárias californianas. Esse resultado poderia causar sérios problemas para o governador do Texas, expondo, no Estado mais populoso do país, sua vulnerabilidade na disputa pela Casa Branca com o vice-presidente Albert Gore, em novembro. Na quinta-feira, no entanto, o próprio McCain mostrou que não tem esperança de obter o respaldo da Califórnia para sua candidatura. Ele deixou de comparecer pessoalmente a um debate com Bush em Los Angeles e sua participação via satélite apenas ajudou a reforçar a impressão de declínio de sua campanha. Estão em jogo, nesta "Superterça-feira", 588 delegados à convenção republicana de Filadélfia, que sacramentará a escolha do candidato presidencial no início de agosto. Bush já tem garantidos 170 convencionais, em comparação a pouco mais de 100 de McCain. Como na maioria dos Estados em disputa o vencedor levará todos os delegados, um triunfo amplo de Bush, que era esperado na sexta-feira, tornará aritmeticamente impossível a McCain chegar à maioria de 1.034 delegados necessária para obter a indicação partidária. Se restar alguma dúvida, ela será resolvida nas primárias que seis Estados do sul, com um total de 342 convencionais, farão na terca-feira da semana que vem. Entre eles estão o próprio Texas e a Flórida, que é governada por seu irmão, Jeb. Do lado dos democratas, que realizarão 15 primárias na terça-feira, a única dúvida é a data do anúncio da desistência do ex-senador por Nova Jersey Bill Bradley, o uníco desafiante de Gore. A campanha de Bradley nunca decolou. Seu ar professoral e sua insistência em não fazer o "jogo da política habitual" impediram o ex-senador de conectar-se com os eleitores e fizeram com que ele fosse visto como um político ainda mais arrogante e presunçoso do que Gore, o que, por si só, é uma proeza. "Ele é demasiadamente bom para nos governar", escreveu Maureen Dowd, a implacável colunista do jornal The New York Times, resumindo o problema político de Bradley. Ontem, sexta-feira, as sondagens indicaram que ele terá dificuldades para vencer o vice-presidente mesmo em New Jersey ou no vizinho Estado de Nova York, onde ficou famoso como jogador profissional de basquete no time dos Nicks e precisa ganhar para poder deixar a corrida de maneira honrosa. Com a fase preliminar da corrida presidencial perto do fim, as campanhas de Gore e de Bush preparavam-se no fim de semana para lançar-se na batalha pela Casa Branca, uma briga que terá de ser sustentada durante nada menos do que sete meses e colocará frente à frente dois políticos que discordam fundamentalmente em apenas um par de questões, como o aborto, mas têm propostas centristas e muito parecidas em relação a quase todos os demais temas que interessam aos eleitores que estão prestando atenção no processo eleitoral, que são poucos. Mesmo com a ajuda do fenômeno McCain, que teve o efeito salutar de despertar o interesse de jovens e de eleitores independentes, a participação popular nas primárias não ultrapassa um terço dos eleitores na maioria dos Estados. Se a guerra santa entre Bush e McCain servir de indicação, o debate entre o vice-presidente e o governador do Texas não promete ser dos mais edificantes.





