A Universidade de Maryland, nos EUA, deve iniciar ainda este ano testes clínicos com uma nova versão da vacina sintética contra malária desenvolvida pela equipe do casal de cientistas brasileiros Victor e Ruth Nussenzweig, radicados na Universidade de Nova York. ‘‘É claro que eu estou otimista’’, disse Ruth durante sua palestra na 49ª Reunião Anual da SBPC em Belo Horizonte. ‘‘É possível fazer uma vacina que em pequena escala e em voluntários humanos pode ser muito eficiente, baseado numa proteína do esporozoíto (uma das fases infectantes do parasita da malária)’’.
Além disso, Ruth qualificou de ‘‘espetaculares’’, os resultados obtidos pelo Exército americano com uma vacina desenvolvida a partir da proteína do circumporozoíto, uma molécula isolada por sua equipe de pesquisa, que conseguiu inibir a doença em seis entre sete voluntários. A vacina, desenvolvida junto com um laboratório belga, está sendo testada em Gâmbia, na África, onde a doença é endêmica.
‘‘Não sabemos ainda a duração da proteção e seus efeitos em regiões como o Brasil, onde ela atinge 600 mil pessoas por ano’’, afirmou. Ruth explicou também que a vacina americana depende de adjuvantes que podem ser tóxicos ou ter efeitos colaterais em certos casos.
A nova vacina do casal Victor e Ruth Nussenzweig difere daquela desenvolvida pelo exército americano porque não se baseia em engenharia genética e não depende de adjuvantes. Ruth explicou que o seu produto foi construído a partir de peptídeos, ou pedacinhos da proteína circunsporozoíto, que expressam o antígeno contra a malária. ‘‘Estamos trabalhando nisso há cinco anos e agora estamos na fase de recrutamento de voluntários’’, contou. ‘‘Em breve poderemos ter algumas respostas’’.

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