Os primeiros bebês ‘‘geneticamente modificados’’ já existem: nasceram no Instituto de Medicina Reprodutiva e Ciências de Sa-int Barnabas, Nova Jersey (EUA). Segundo estudo publicado na edição de março da revista científica ‘‘Human Reproduction’’, 15 crianças saudáveis nasceram como resultado de um programa experimental de fertilização, desenvolvido nos laboratórios do instituto norte-americano.
Segundo os cientistas, os bebês nasceram por meio da técnica conhecida como transferência citoplasmática, que consiste em injetar partes do óvulo de uma mulher doadora no óvulo de uma mulher que tenha problemas de fertilidade.
Algumas mulheres são inférteis devido ao mau funcionamento do citoplasma do óvulo. Para combater o problema, os médicos injetam no óvulo infértil o citoplasma do óvulo sadio de uma outra mulher. Com o citoplasma, são injetadas suas organelas, entre elas a mitocôndria, que tem material genético próprio.
Chamar os bebês de ‘‘transgênicos’’ seria, a rigor, um exagero. São apenas 13 genes inseridos (contra mais de 30 mil presentes nos cromossomos do núcleo), e eles não correspondem a características físicas do indivíduo. Além do mais, não existe uma outra espécie envolvida, como na maior parte dos organismos considerados transgênicos.
De acordo com os autores do experimento publicado na ‘‘Human reproduction’’, esse é o primeiro caso de modificação genética e dá origem a crianças normais e sadias.
O método usado pelos pesquisadores americanos foi criticado por cientistas britânicos, que afirmaram que não há nenhuma evidência de que esse tipo de técnica valha a pena ser usada. No Reino Unido, ela não é permitida.
Segundo a coordenadora da ONG Isis (Instituto de Ciência na Sociedade), Mae-Wan Ho, os pesquisadores cometeram uma série de erros: ignoraram a regulamentação (dos Estados Unidos, que impede alteração da linhagem germinativa), não informaram o público, não tiveram dúvidas morais sobre o que faziam e não sabiam se os óvulos das doadoras tinham defeitos.

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