Brasília - O governo americano tem até 90 dias para pedir ao Brasil a extradição de José Diaz-Barajas, um dos traficantes de drogas mais procurados dos Estados Unidos e do México. Ele foi detido no Aeroporto Antônio Carlos Jobim (Galeão), no Rio, a caminho de Fortaleza, pela Polícia Federal. Enquanto durar a análise de um eventual pedido de extradição dele para os Estados Unidos, o suspeito de tráfico de drogas permanecerá no Presídio Ary Franco, na zona norte da capital fluminense.
O nome do mexicano consta na "difusão vermelha" da Interpol, banco de dados para pessoas que estão sendo procuradas para prisão e extradição. Ele foi detido ao tentar embarcar com a mulher e dois filhos menores de idade para a capital cearense, onde assistiria ao jogo desta terça-feira, entre Brasil e México, na Arena Castelão.
De acordo com a PF, Barajas era procurado havia alguns meses pela agência norte-americana de combate às drogas (DEA). O governo americano tem até três meses para pedir a extradição via Itamaraty para o Ministério da Justiça. A análise, no entanto, caberá ao ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo na Corte e responsável por decretar a prisão dele. Se os Estados Unidos não formalizarem o pedido dentro do prazo, o traficante será liberado.
O mexicano entrou no Brasil por via terrestre no dia 11 de junho, quarta-feira, por Foz do Iguaçu, procedente do Paraguai. De lá, seguiu de avião para o Rio. Barajas foi monitorado pela PF, que esperou o melhor momento para prendê-lo. Para isso, no entanto, era necessário que o STF decretasse a prisão dele, o que foi feito no sábado. Se não fosse detido no aeroporto no Rio, havia equipes policias no aeroporto de Fortaleza. Outra alternativa seria prendê-lo dentro do estádio uma vez que PF detinha cópia do ingresso dele, com o número do assento.
Segundo a PF, Barajas produzia drogas sintéticas com insumos provenientes da Ásia e tudo era exportado para os Estados Unidos. O mexicano usava conexões com outros países na América Central - Belize e Guatemala - para pagar os fornecedores. De acordo com o coordenador-geral da Cooperação Internacional da PF, o delegado Luiz Cravo Dorea, o mexicano não usou documentos falsos para entrar no País. "Ele não achava que estava sendo procurado pela Justiça. Por isso, a tranquilidade", afirmou.

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