Paris - Apesar das críticas de médicos e ativistas à falta de um compromisso internacional para investir os recursos necessários no Fundo Global contra Aids, a conferência internacional sobre a doença, encerrada na quarta-feira em Paris, não teve apenas más notícias. O ministro da Saúde dos Estados Unidos, Tommy Thompson, anunciou durante o encontro que seu governo decidiu suspender toda e qualquer atitude hostil à produção e utilização de medicamentos genéricos pelos países em desenvolvimento mais atingidos pela doença.
Thompson garantiu que, a partir de agora, os EUA pretendem assimilar os critérios do Fundo Global. Isso significa contribuir para oferecer ''medicamentos de melhor qualidade e a preços baixos'', sem excluir os remédios genéricos.
O especialista americano em Aids Anthony Fauci disse que os EUA assumiram o compromisso de não retaliar na Organização Mundial do Comércio (OMC) nenhum Estado disposto a recorrer a medicamentos genéricos em caso de urgência sanitária. Essa posição representa uma mudança significativa do comportamento dos EUA em relação a países como o Brasil, cujo governo obteve êxito reconhecido mundialmente com seu programa de fabricação e distribuição de genéricos. A nova política americana, válida também para doenças como tuberculose e malária, deverá ser ratificada na Cúpula de Cancún, no México, em setembro.
Os laboratórios farmacêuticos também prometeram mudar de atitude diante do problema e anunciaram que vão reduzir preços e investir em ajuda humanitária, tendo escolhido como beneficiário Botswana, onde a Aids afeta 40% da população adulta. Serão destinados US$ 100 milhões ao país até 2005.

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