EUA se autoproclamam salvadores do planeta
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de agosto de 2002
Beatriz Lecumberri<br> France Presse 
Johannesburgo - Apesar de alvo das críticas de ecologistas e de boa parte da comunidade internacional por sua política ambiental, os Estados Unidos se autoproclamaram ontem na cúpula de Johannesburgo campeões mundiais do desenvolvimento sustentável, enquanto América Latina lutava para se fazer ouvir em questões como a energia e a justiça no comércio internacional.
''Estados Unidos são campeões mundiais do desenvolvimento sustentável (...) Nenhum país fez mais ou contribuiu tanto ao desenvolvimento sustentável'', disse sem falsa modéstia a chefe da delegação americana na cúpula da Terra, a subsecretária de estado para assuntos globais, Paula Dobriansky.
Esta afirmativa se choca frontalmente com a ausência do presidente George W. Bush na cúpula da ONU, à qual enviará o secretário de Estado, Colin Powell, com o medíocre nível de sua ajuda pública ao desenvolvimento (0,11% de seu PIB, frente ao 0,7% do PIB previsto desde 1969) ou sua recusa a ratificar o Protocolo de Kyoto (1997) sobre controle das emissões de gases poluentes.
Em sua intervenção, os representantes americanos reiteraram o já sabido: não são partidários de compromissos multilaterais para aliviar a pobreza, levar a água potável aos 1,1 milhão de pessoas que carecem dela ou lutar contra o desmatamento, mas estão dispostos a levar a cabo iniciativas particulares de cooperação.
No total, Dobriansky anunciou cinco projetos que reunirão investimentos privados e públicos: canalização de água (970 milhões de dólares de fundos públicos em três anos), acesso à energia (43 milhões em 2003), luta contra a fome na África (90 milhões em 2003), proteção das selvas do Congo (53 milhões em quatro anos) e luta contra a aids, tuberculose e malária (1,2 bilhão em 2003).
O dinheiro para financiar estes projetos não provirá do aumento de Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD), anunciado na conferência da ONU de Monterrey (México), na passada primavera (boreal), já que não foi aprovado pelo congresso. Sua procedência entretanto não ficou clara. No México, Estados Unidos decidiram aumentar em 5 bilhões sua APD até 2006.


