EUA são peça-chave para liberalização agrícola
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de agosto de 1999
Por Vladimir Goitia 
Buenos Aires, 27 (AE) - Os Estados Unidos, a maior potência agrícola do mundo e um dos países que mais subsidia esse setor no planeta, serão a peça-chave na liberalização desse mercado, um dos mais fechados e onde existe o maior número de barreiras tarifárias e não-tarifárias. De acordo com o embaixador Carlos Antônio Rocha Paranhos, chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais do Ministério de Agricultura, a posição dos EUA sobre a questão agrícola nas futuras negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) será essencial para obter ou não um maior acesso aos mercados europeu e asiático, além do próprio norte-americano.
Para o embaixador, o fato de o secretário de Agricultura dos EUA, Dan Glickman, ter aceitado o convite para a reunião do Grupo de Cairns, que vai de hoje até domingo em Buenos Aires, é um sinal positivo de que os EUA têm interesse em chegar a uma posição não necessariamente comum com os países do Grupo de Cairns, mas a um consenso sobre a importância da liberalização agrícola em alguns setores.
"Acredito que algumas das posições norte-americanas estão muito próximas das do Grupo de Cairns", disse o embaixador. O embaixador participou hoje da primeira reunião técnica dos membros do grupo. Entre hoje e amanhã, eles devem definir os termos da declaração que, depois, será assinada pelos ministros de Agricultura. O embaixador disse ainda que a visita de Glickman, que acabou não participando da última reunião do Grupo de Cairns, na Austrália, servirá também para mostrar aos europeus que as negociações na OMC sobre a questão agrícola serão levadas muito a sério.
De acordo com dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), da qual fazem parte os 25 países mais ricos do planeta, o volume de subsídios agrícolas (incluído os destinados à exportação) dos EUA, União Européia, Japão, Coréia do Sul e Suíca, entre 1996 e 1998, se aproximou de US$ 362 bilhões, ou 15 vezes as exportações totais da Argentina, por exemplo.
Ainda segundo a OCDE, graças aos subsídios, as exportações agroindustriais da União Européia passaram de 8% do total exportado pelo mundo, em 1970 para 13% em 1998. Essa é, segundo a OCDE, uma das razões pelas quais países como a França, Alemanha e Holanda figuram entre os principais nações exportadoras de alimentos do planeta.


