Washington, 01 (AE) - O secretário da Defesa dos Estados Unidos, William Cohen, descartou hoje (01) uma pausa nos bombardeios contra a Iugoslávia, pedida por Belgrado na sexta-feira numa carta enviada ao ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, na qual o governo do presidente Slobodan Milosevic afirmou, pela primeira vez, que aceita as condições da Aliança Atlântica para a negociação de um acordo de paz.
Estas condições incluem a retirada total de Kosovo das forças militares, paramilitares e políticas sérvias; a entrada no território de uma força internacional de 50 a 70 mil soldados, sob a bandeira das Nações Unidas mas o comando da OTAN, para garantir e administrar o retorno dos mais de 1 milhão de kosovares de origem albanesa que fugiram das forças sérvias e das bombas aliadas; e um regime autônomo e democrático de governo na província. A estrutura da força de paz, que teria participação da Rússia e da Ucrânia, está no centro das discussões de um plano de paz que diplomatas russos, filandeses e americanos começaram a discutir hoje em Bonn.
Embora ainda não esteja claro como e quando se chegará ao cessar- fogo, dois fatos deverão balizar a busca de um entendimento entre os aliados e o regime de Belgrado, sob a mediação dos enviados especiais escalados pela Rússia, o ex-primeiro-ministro Viktor Chernomyrdin, e pela União Européia, o presidente da Finlândia, Martti Ahtisaari, que devem chegar a Belgrado amanhã.
O primeiro é o encontro anual dos líderes do Grupo dos Oito, dentro de pouco mais de duas semanas, em Colônia, que reunirá os chefes de governo de seis países em guerra com a Iugoslávia (Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Inglaterra e Canadá), o presidente da Rússia, além do premier do Japão. Com os críticos da guerra ganhando terreno em todos os países da OTAN, e os aliados dependentes da diplomacia russa para encerrar o conflito, o evento aumentará a pressão por um acordo.
Com esse cálculo em mente, a secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, concluiu hoje uma reunião com seu colega italiano, Lamberto Dini - a primeira de uma série que com os chefes das diplomacias dos países aliados, calculada para demonstrar unidade - reiterando as condições para a suspensão das ações militares.
"O ministro Dini e eu, junto com os nossos aliados, continuamos comprometidos a concluir o conflito com base nas condições que a OTAN apresentou e a comunidade internacional endossou", disse Albright.
O segundo elemento que deve orientar a busca do acordo é a preocupação dos Estados Unidos de limitar sua participação tanto na composição da força de intervenção após o cessar-fogo como no trabalho de reconstrução da Iugoslávia e de Kosovo depois que cessar a demolição que a OTAN leva a cabo há mais de setenta dias em nome de uma causa já perdida: a proteção, em seu território, dos kosovares de origem albanesa.
Na segunda-feira, o presidente Bill Clinton deixou patente que os EUA, tendo contribuído com o grosso das forças usadas no bombardeio da Iugoslávia, querem preservar o comando da força de paz via OTAN mas limitarão sua participação no efetivo de soldados que administrará o pós-guerra em Kosovo. Fontes oficiais americanas estimam em no máximo 7 mil a contribuição americana numa força de 50 mil.
O presidente americano indicou, também, que não se deve contar com os cofres dos EUA para a reconstrução da devastada infra-estrutura física de Kosovo e da Iugoslávia. A maior parte do dinheiro para isso terá que sair da própria Europa, disse Clinton, em discurso que fez durante cerimônia que marcou o dia dos mortos das guerras, no cemitário nacional de Arlington.
Empenhado em manter o apoio já vacilante da opinião pública , o presidente disse que "todos os americanos devem saber que nós temos o forte apoio de nossos aliados europeus; que, quando a força de paz entrar lá (em Kosovo), a esmagadora maioria das pessoas será européia, e que, quando a reconstrução começar, o grande montante de investimentos também será feito pelos europeus".

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